Dario Durigan fez a avaliação após a terceira fase da Operação Carbono Oculto nesta quinta-feira (24), que contou com a participação da Receita Federal.
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| Foto: Reprodução / Agência Brasil |
"Nós estamos falando de uma administradora, de um grupo empresarial, que é o Grupo Entre, que recebia dinheiro tanto do [Banco] Master quanto do crime organizado e dentro de um mesmo bolso. E esse recurso foi utilizado para ocultar patrimônio, para lavar dinheiro, para corromper", disse Durigan.
O ministro deu a declaração após a terceira fase da Operação Carbono Oculto, da PF, que revelou ligação entre a máfia dos combustíveis e o esquema de precatórios do Master.
➡️Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), o grupo investigado teria montado uma estrutura financeira e societária complexa para assumir o controle da distribuidora Terrana e ocultar patrimônio por meio de fundos de investimento, empresas de fachada e operações financeiras consideradas atípicas pelo Ministério Público.
Entre os alvos das buscas da operação desta quinta estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, seus irmãos, André e Bruno Tupinambá, além do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, dono da Entre Investimentos.
A Entre Investimentos faz parte do grupo Entrepay foi liquidada (ou seja, teve suas atividades encerradas) em março deste ano pelo Banco Central (BC).
A decisão do BC à época foi motivada pelo “comprometimento da situação econômico-financeira” da Entrepay, além de irregularidades no cumprimento das normas que regem o setor e prejuízos considerados capazes de expor credores a um risco anormal.
"Tudo indica que o recurso que dá liquidez para essas operações ["Dark Horse"] vem de uma mesma entidade, vem de um mesmo bolso. Aí é muito complicado você identificar o que que é cada coisa. Se tem dinheiro do PCC, se tem dinheiro de usina do crime organizado, de distribuidora de combustível do crime organizado no mesmo bolso, no mesmo fundo", afirmou o ministro.
"É um trabalho identificar o que saiu desse fundo, seja para as delações que estejam sendo feitas aqui em Brasília, seja para apurações do Supremo e de São Paulo (...) Mas tudo indica que sim", declarou.
Acordo de delação
Antonio Carlos Freixo Junior assinou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito das investigações sobre o caso Master.
O empresário afirmou em sua delação — assinada com a PGR em 8 de agosto — que era responsável por "gerar" dinheiro vivo para a equipe do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso. O dinheiro era entregue em malas e, segundo ele, seria usado para pagamentos de propina.
"Mineiro" disse ainda que fez sete repasses, a título de "subscrições de cotas", para o fundo Havengate nos Estados Unidos. As transações foram feitas de janeiro a setembro de 2025 e totalizaram US$ 12,333 milhões. Pela cotação de setembro de 2025, esse valor equivalia a R$ 62,8 milhões.

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