terça-feira, 17 de março de 2026

Caso Romário: seis meses após acidente fatal, família de motociclista cobra justiça em Retirolândia

Laudo aponta ultrapassagem irregular, suspeita de embriaguez e réu está solto 
Quase seis meses após o trágico acidente que resultou na morte de um motociclista em Retirolândia, na região sisaleira [relembre], a família da vítima segue em busca de justiça contra o suspeito de ter provocado a colisão.

A motocicleta ficou destruída | Arquivo
O
acidente envolveu uma motocicleta e um Ford Fiesta, culminando na morte do condutor da moto, Romário Maciel Saturnino, de 36 anos, natural do município. O motorista do carro foi preso em flagrante e permaneceu detido por 30 dias.

De acordo com laudo pericial obtido pela jornalista Rafaela Rodrigues, no âmbito do processo que tramita na Vara Criminal de Retirolândia, uma ultrapassagem irregular pode ter sido a causa do acidente fatal.

Carro ficou com a frente destruída | Arquivo
Segundo o documento, o acidente ocorreu em um trecho de pista com sinalização que proibia ultrapassagem para veículos no sentido em que trafegava o Ford Fiesta, embora permitisse a manobra para motocicletas. A via é de mão dupla, possui asfalto em boas condições, mas apresentava baixa visibilidade no momento do ocorrido devido à ausência de iluminação pública.

Outro ponto central do processo é a suspeita de que o motorista estivesse sob efeito de álcool. No entanto, conforme consta nos autos, não há comprovação definitiva de embriaguez ao volante até o momento. Isso porque os testes de alcoolemia apresentaram resultados divergentes, com registros de 0,44 mg/l e 0,26 mg/l, levantando questionamentos sobre a consistência da prova técnica.

No processo, o réu foi enquadrado principalmente em crimes de trânsito, com destaque para:

Art. 306 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB): conduzir veículo sob efeito de álcool;

Art. 309 do CTB: dirigir sem habilitação ou com habilitação irregular, gerando perigo de dano.

Família cobra justiça
A irmã de Romário, Claudiane Maciel, 45 anos, relatou à jornalista Rafaela Rodrigues que a família ainda enfrenta um luto profundo diante da perda irreparável.

Segundo ela, o réu já teria se envolvido em outro acidente anteriormente. “Antes dessa situação com meu irmão, esse mesmo rapaz atropelou nosso primo, que teve fraturas”, afirmou.

Claudiane também desabafou sobre a dor de ver o suspeito em liberdade. “É revoltante saber que ele continua vivendo normalmente, enquanto tirou a vida do meu irmão. Ele poderia estar respondendo pelo que fez. Nós queremos justiça. Meu irmão não volta mais, mas é justo esse homem estar livre, bebendo e correndo o risco de fazer novas vítimas? Preso, esse risco diminui e nossa dor ameniza diante de tudo isso”, disse.

Filhos sentem a ausência do pai
Romário deixou dois filhos, de 7 e 12 anos. De acordo com Claudiane, o mais novo sofreu recentemente uma crise de pânico ao chamar pelo pai. 
“É muito doloroso explicar para uma criança que o pai não vai voltar”, relatou.

Além dos filhos, a mãe da vítima, Claudiane e outros familiares enfrentam problemas psicológicos desde o ocorrido. “Não é fácil ver tanto sofrimento. Por isso, só queremos que ele responda pelo ato cometido, pois o próprio laudo aponta que houve erro”, finalizou.

O espaço permanece aberto para manifestação da outra parte, caso queira apresentar sua versão dos fatos.

Fonte: Portal Raízes / colaboração de Marcos Valentim (Boca de 09)

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