Comunidade com cerca de 45 famílias enfrenta dificuldades diárias para conseguir água enquanto obra iniciada em maio de 2025 permanece paralisada
Moradores do povoado Pau D’Arco, localizado na zona rural no limite entre os municípios de Ichu e Candeal, denunciam a paralisação de uma obra de implantação de rede de abastecimento de água iniciada em maio de 2025 e interrompida cerca de dois meses depois, sem qualquer explicação à comunidade.
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| Raidivan e esposa |
Segundo ele, cerca de 45 famílias vivem na comunidade, que continua enfrentando dificuldades históricas para ter acesso regular à água. “Tudo ao redor de nossa comunidade tem água encanada. Só a nossa não tem. É como se fosse uma ilha”, relatou Raidivan.
Mobilização da comunidade
A luta pela chegada da água começou há cerca de dois a três anos, quando moradores organizaram um abaixo-assinado reunindo aproximadamente 45 a 50 assinaturas solicitando a implantação do sistema de abastecimento para a comunidade. O documento foi levado até a Prefeitura de Ichu, na gestão do atual prefeito José Gonzaga, com o objetivo de acelerar o atendimento da demanda. Depois da mobilização, a comunidade recebeu a notícia de que a obra seria realizada.
Obra começou em maio de 2025
De acordo com os moradores, os trabalhos tiveram início no dia 25 de maio de 2025. Equipes começaram a escavar o trecho por onde passaria a tubulação que levaria água até o povoado. O trajeto possui cerca de 3 a 3,5 quilômetros e parte das proximidades da BA que dá acesso à região, passando por diversas propriedades rurais até chegar à comunidade.
Durante aproximadamente dois meses, máquinas e trabalhadores realizaram escavações ao longo do percurso. Em alguns trechos os canos chegaram a ser instalados, principalmente nas partes onde a escavação não exigia grande profundidade. Entretanto, mais de um quilômetro da vala aberta permaneceu sem a instalação da tubulação, sem que a comunidade recebesse qualquer explicação oficial sobre o motivo da interrupção da obra.
Moradores afirmam que, na época, engenheiros que passaram pelo local chegaram a comentar que os canos que haviam sido levados não seriam adequados para suportar a pressão da água. Depois disso, os trabalhos foram simplesmente interrompidos.
Veículo e materiais ficaram abandonados
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| Carro abandonado |
Mesmo após cerca de seis meses da paralisação, ninguém voltou ao local para recolher o veículo, retirar os materiais ou dar qualquer satisfação à comunidade.
Moradores acreditam que a obra tenha sido executada pela Companhia de Engenharia Hídrica e de Saneamento da Bahia (CERB), embora não haja identificação no local confirmando oficialmente a responsabilidade.
Segundo eles, o projeto prevê que a rede seja ligada à adutora da Embasa existente na região, responsável por puxar a água para abastecimento das comunidades.
Rotina de carregar água continua
Enquanto a obra permanece parada, a rotina de dificuldade para conseguir água continua sendo uma realidade para os moradores da comunidade, especialmente para as mulheres. Sem água encanada, os moradores dependem do envio de carros-pipa pelas prefeituras ou precisam buscar água em locais distantes.
A jovem Olívia Carneiro Carvalho, de 23 anos, relata que a situação é de constante dificuldade. “A gente depende da prefeitura mandar carro-pipa e às vezes demora muito. Quando não vem, a gente precisa ir longe buscar água. A gente se vira com o pouco que tem”, contou.
Segundo ela, existe uma cisterna ao lado de um prédio onde funcionava a antiga escola da comunidade, hoje desativada. É nesse reservatório que os caminhões costumam despejar a água para que os moradores possam buscar.
A moradora Maria Isabel de Jesus, de 62 anos, mãe de três filhos, contou que muitas vezes precisa transportar água em carrinho de mão até sua casa. “Quando o caminhão traz água, coloca na cisterna e eu tenho que pegar e levar para casa no carrinho de mão. É muito complicado”, relatou.
Segundo ela, a comunidade ficou cheia de esperança quando as escavações começaram. “Estava com muita esperança que isso fosse resolvido. A gente achou que finalmente a água ia chegar. Mas pararam tudo e ninguém apareceu mais”, lamentou.
Custo da água pesa no bolso
Outro morador da comunidade, Raiolando de Carvalho Carneiro, relatou que muitas famílias acabam sendo obrigadas a comprar água de carros-pipa quando o abastecimento demora. Segundo ele, o custo pode ser alto dependendo da origem da água. “Quando falta água aqui a gente tem que comprar carro-pipa. Dependendo de onde vai pegar custa entre R$ 150 e R$ 200. Quando é água potável para consumo humano pode chegar a R$ 400 ou R$ 500”, explicou Carneiro e acrsentou ainda que a entrega não acontece de imediato.
“Não é coisa de ligar e chegar no mesmo dia. Tem que agendar e esperar. E quando chega também acaba rápido. Às vezes dura 10 ou 15 dias no máximo”, relatou.
Segundo ele, muitas vezes a água vem de municípios vizinhos, como Serrinha ou Biritinga.
Enquanto a rede de abastecimento não é concluída, os moradores continuam dependendo de carros-pipa enviados pelas prefeituras de Ichu e Candeal.
Na comunidade existe uma cisterna construída anteriormente pela Prefeitura de Candeal, localizada ao lado do prédio da antiga escola. Hoje o prédio está desativado e restam apenas as paredes. Como não há telhado, a cisterna não recebe água da chuva, sendo abastecida exclusivamente pelos caminhões-pipa.
É nesse reservatório que os caminhões despejam a água para que os moradores possam buscar e levar para suas casas. Apesar de o abastecimento emergencial contar com apoio dos dois municípios, moradores afirmam que o suporte maior tem vindo da Prefeitura de Ichu, já que cerca de 80% das famílias da comunidade estão vinculadas administrativamente ao município.
Comunidade cobra explicações
A moradora Marielma Carneiro afirmou que a comunidade espera uma explicação das autoridades responsáveis sobre o que de fato aconteceu com a obra. Segundo ela, a paralisação do serviço aumentou a angústia dos moradores, que continuam enfrentando dificuldades para conseguir água no dia a dia.
Marielma disse que a expectativa da população é que o projeto seja retomado e concluído, garantindo dignidade e melhores condições de vida para as famílias que vivem no povoado de Pau D’Arco.
Ela ressaltou que a comunidade não quer conflito, mas apenas entender o que ocorreu e quando a obra poderá ser retomada. “Tudo que a gente quer é uma explicação e que a obra volte. A comunidade precisa dessa água”, afirmou.
Fonte: Calila Notícias / CN



















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