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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Em Feira de Santana, idoso de 102 anos mantém rotina ativa e só deixou de dirigir neste ano

Seu João, como é conhecido na Avenida Vasco Filho, onde mora há TANTOS anos, falou que só parou de dirigir por conta da “proibição do filho”.  
Seu João Pereira | Foto: Beatriz Rabello/Acorda Cidade
Aos 102 anos, a maioria das pessoas imagina uma vida de descanso e calmaria. Mas para o feirense João Pereira da Cruz, a idade é apenas um número. Com uma rotina ativa e cheia de disposição, o idoso desafia os estereótipos sobre o envelhecimento e parou de dirigir somente neste ano. 


Em entrevista ao Acorda Cidade, seu João, como é conhecido na Avenida Vasco Filho, onde mora desde 1958 e foi o primeiro morador, contou que só parou de dirigir por conta da “proibição do filho”.  

"Dirigi até os 102 anos. Parei porque meu filho levou o carro.”  

Apesar de morar sozinho, João recebe, algumas vezes por semana, a ajuda de uma cuidadora. Mas no geral, sua rotina envolve cuidar da casa e cozinhar.

"Hoje eu cozinhei, tomei café, almocei. Já varri a casa. Daqui a pouco vou merendar um pouquinho. Mas tudo é atividade.” 
Seu João Pereira | Foto: Beatriz Rabello/ Acorda Cidade
Nascido em 24 de julho de 1924, seu João começou a trabalhar aos 18 anos, em 1942, no então Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). Foi seu único emprego até a aposentadoria, aos 55 anos.  

"Eu me fichei no dia 2 de julho. Trabalhei 37 anos. Estou com 46 anos já de aposentado. O primeiro emprego que eu tive, eu me aposentei. Só tive um emprego.”  

Segundo ele, o segredo para chegar aos 102 anos com disposição é saúde é se cuidar e trabalhar. Diariamente, seu café da manhã é o chamado mingau de cachorro, feito normalmente com água, farinha de mandioca e alho. 

"Todos os dias de manhã como um mingau de cachorro. Todos os dias, quando eu acabo de levantar, oro, venho para a cozinha e faço meu mingau. Nos dias que não tomo eu sinto a diferença. Sinto falta."  
Seu João Pereira | Foto: Beatriz Rabello/ Acorda Cidade
O idoso explicou que não pratica exercícios físicos e que a única atividade que faz, todos os dias, é cuidar da casa, além de sair para fazer compras. 

"Limpo todo. Vou na rua, faço compras, junto com a menina que toma conta de mim. Amanhã mesmo vou pra rua fazer compra. Remexo ali tudo.”
Seu João Pereira | Foto: Beatriz Rabello/Acorda Cidade
Aos 20 anos, João tirou a carteira de habilitação e começou a dirigir, atividade que manteve até os 102 anos. Com 82 anos de experiência, seu João disse que nunca se envolveu em nenhuma colisão. Ele costumava sair todos os dias para comprar o almoço, mas hoje conta com a ajuda da cuidadora ou prepara a própria comida.  

"Graças a Deus. Nunca tive batida. Ninguém nunca bateu em mim e eu também não bati em ninguém."

Questionado sobre como a sociedade trata os idosos, ele destacou as dificuldades de locomoção. Atualmente, sente dores nas pernas e, por isso, muitas vezes fica impedido de ir a locais como a igreja e a farmácia, precisando do apoio de alguém. 

"Quando a gente é moderno, a gente faz tudo, tem disposição para tudo. Hoje a gente tem vontade de fazer as coisas e não pode. Às vezes eu tenho vontade de ir na igreja ou na farmácia e não posso. Fazer uma compra na rua, no supermercado, também não tenho condições. Mas estou conformado com a idade que eu tenho e a disposição que eu tenho para fazer.”  
Seu João Pereira | Foto: Beatriz Rabello/ Acorda Cidade
Ao completar 100 anos, em 2024, seu João celebrou a data com uma festa. De acordo com ele, em suas orações, costuma pedir a Deus que lhe permita chegar aos 110 anos e comemorar a marca na igreja.  

"Sou feliz. Agradeço muito a Deus por tudo que Ele tem me dado. Peço a Deus que eu vá até os 110. Se eu for, como estou pedindo a Ele, eu vou fazer uma grande festa na igreja.”
Foto: Joilda Ribeiro
Por fim, ele deixou um conselho para quem quer envelhecer com saúde e alegria. Segundo ele, o principal passo é se cuidar.

"Se cuide. Siga em frente, porque são dois caminhos: o largo, que é o caminho do pecado, onde se faz tudo o que é errado; e o caminho estreito, que é o caminho em que a gente ora um pelo outro."  

Com informações da jornalista Beatriz Rabello e da produtora Daniela Cardoso, ambas do Acorda Cidade.

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