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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Ichu: exemplo da matemática na Bahia

Quem sai de Salvador rumo ao interior da Bahia vê a seca e a pobreza aumentarem à medida ao longo da estrada. A vegetação se torna mais árida e a infraestrutura mais escassa: quanto mais longe do mar, mais precária a vida da população. 
A pequena Ichu, cidade baiana de 6.418 habitantes a 178 km da capital do estado, tornou-se referência na OBMEP, com alunos da Escola Municipalizada Aloisio Cedraz nas listas de premiados desde 2010. É um feito quando diante da luta diária da direção, alunos e professores para driblar a carência de estrutura física e material do lugar.

Quando Evaneria Lima Santiago assumiu a direção do colégio em 2007, foram os casos de sucesso de municípios do interior nordestino na OBMEP, como Cocal dos Alves (PI), que a fizeram que a escola também poderia brilhar na Matemática. “Sempre via na TV a divulgação da OBMEP e passei a inscrever todos os alunos. Começamos com apenas quatro turmas, hoje já temos oito”, comemora.     

Os resultados não foram imediatos – a escola só passou a ter premiados três anos após a primeira participação.  “Incentivo os alunos a participar, mostrando que eles são capazes de concorrer com todo o Brasil.”     

Colhendo frutos
A insistência não foi em vão. Em 2010, Carolina Lima de Araújo Oliveira, 17 anos, foi a primeira estudante de Ichu a conquistar uma menção honrosa na história da OBMEP. Ela ganharia mais duas menções, em 2012 e 2013. Para a falante Carolina, o êxito só foi possível devido ao trabalho da professora de Matemática Maria Gilnete Carneiro Santiago. “Gosto de Matemática desde os 5 anos e meus pais sempre me incentivaram. Mas a OBMEP me desafiou. E tudo mudou quando conheci Gilnete. Ela é uma pessoa muito importante na minha vida até hoje. Eu me espelho muito nela”, disse Carolina, que conclui o Ensino Médio este ano.     

Carolina, que ajuda o pai no comércio local, afirma que os estudos a ajudaram a “exercitar a matemática no dia a dia” e garante que “a olimpíada de Matemática abre portas e dá outro olhar sobre a disciplina”.

A professora Gilnete acredita que o segredo está na simplicidade de mostrar a disciplina de forma prática. Suas aulas se concentram em apontar como os números fazem parte do cotidiano. “Sempre digo que usamos Matemática em tudo na nossa vida, mesmo sem perceber. Por isso, opto por trabalhar em sala o conteúdo que vai servir na prática. Eles ligam a Matemática às suas necessidades e passam a ter menos resistência e a gostar mais”, diz.

A estratégia tem dado certo. José Soares Neto, 16 anos, era daqueles que não podiam ver números pela frente, mas mudou de ideia após as aulas. “Passei a gostar da matéria quando a conheci, e isso me incentivou a participar da OBMEP”, afirmou. 

Em 2014, ele conquistou uma menção honrosa e começou a ver a matéria com outros olhos. Com o incentivo da educadora, agora sempre participa da competição.  “A OBMEP me ajudou a gostar mais de Matemática. Só tenho mais um ano para participar, mas vou tentar ganhar uma medalha”, confessa. 

Incentivo muda tudo 
Descobrir seu potencial pode levar um estudante ainda mais longe. Segundo Gilnete, seu trabalho é incentivar que os alunos descubram seus próprios talentos. “Cada um tem um talento escondido dentro de si. Na Matemática, eles expõem a capacidade de resolver os problemas do dia a dia, porque a matéria leva a inúmeros conhecimentos.”     

Com João Gabriel Lima de Oliveira, 15 anos, funcionou assim. Embora já gostasse da disciplina e tivesse bom desempenho, viu nas aulas e na OBMEP uma oportunidade de descobrir como poderia avançar. Ganhou bronze em 2013 e menção honrosa em 2015 e 2016 e agora compreende como a matéria faz parte do cotidiano das pessoas. “Praticamente tudo o que fazemos usa Matemática. E, à medida que aprendemos coisas novas, percebemos como usar essas informações na escola e na vida.”     

Ganhador de dois bronzes e uma menção honrosa, Matheus Oliveira dos Santos, 15 anos, ficou encantado com a participação no PIC [Programa de Iniciação Científica, do qual os medalhistas passam a participar com bolsa]. “Foi uma experiência inesquecível! Fez despertar ainda mais o meu interesse pela Matemática”, afirmou.     

Responsabilidade de educar
As conquistas de Ichu são motivo de orgulho de Evaneria Santiago e aumentam a vontade de seguir formando alunos e campeões na OBMEP. “É uma felicidade muito grande. Somos apenas um ponto no oceano, mas mesmo assim estamos chegando junto com outros alunos de escolas com infraestrutura bem melhor que a nossa.” 

Evaneria credita o sucesso ao comprometimento dos professores e dos estudantes. Ela sabe que os resultados positivos aumentam a responsabilidade do colégio na OBMEP. “Já mostramos que nossos alunos são capazes de concorrer com todo o Brasil. A sensação é de alegria e responsabilidade. A cada dia, procuro ser melhor e levar mais conhecimento para a vida deles. Quero que se lembrem de mim com uma pessoa que fez parte de suas histórias e contribuiu para a realização dos seus sonhos.”     

Fonte: OBMEP

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