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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Odebrecht explica como caixa 2 se tornou comum: ‘Esse crime todo mundo praticou’

O ex-presidente da empreiteira Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, narrou durante seu acordo de delação premiada como a prática de caixa 2 foi “naturalizada” durante as campanhas eleitorais. Segundo o executivo, não existiu nenhuma campanha nos últimos anos que não tenha recebido valores não declarados, mesmo que os candidatos beneficiados não soubessem disso. 
Foto: Reprodução Youtube
Odebrecht explicou que as verbas não oficiais eram uma forma de garantir o apoio a um candidato com quem tivessem uma relação mais forte sem que os concorrentes tivessem noção disso. "Não tem como você dar um montante diferenciado sem ser de caixa 2. Porque o limite que a gente definia internamente para um candidato a governador era R$ 200 mil. Então todo lugar em que a gente tinha uma relação forte, por mais que usasse o comitê estadual ou nacional, tinha um limite. Em algum momento, se tinha uma relação diferenciada, tinha caixa 2", garantiu. 

Marcelo explicou que os postulantes sabiam que todos recebiam valores não declarados, “mas não conseguiam precisar quem tinha recebido mais dinheiro”. "Eu não conheço nenhum político no Brasil que tenha conseguido fazer qualquer eleição sem caixa 2. Caixa 2 era três quartos do que eles tinham. O cara pode até dizer que não sabia, mas o dinheiro que recebia do partido era caixa 2. Era um círculo vicioso que se criou. Tanto é que quando se começou a escrutinizar aumentou a verba partidária, as campanhas de agora [2016] ficaram mais baratas. Não tem como, não existe. O político que disser que não recebeu está mentindo. Esse crime eleitoral todo mundo praticou", frisou. 

Com a naturalização da prática, o caixa 2 praticamente deixou de ser considerado como crime pelos partidos. Odebrecht narra, por exemplo, como auxiliou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) durante a campanha de 2014 à Presidência da República. Em vídeo com a delação premiada que foi disponibilizado nesta quarta-feira (12) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ele conta que sua relação com o tucano começou no início dos anos 2000, quando ele ainda era deputado federal, e que durante sua tentativa de chegar ao governo de Minas Gerais o partido recebeu “contribuições relevantes” da empreiteira. 

Ele não soube precisar quanto das contribuições foram para o Aécio ou outros parlamentares, quanto foi caixa 2 e quanto foi doação oficial. "Eu sei que foi um montante relevante. A gente está falando de pelo menos na ordem de R$ 50 milhões. Eu sei que foi mais ou menos isso porque a gente comentou [sobre isso] na época e eu até estimulei ele. Porque eu disse: 'Veja bem, é o único ponto que a gente tem hoje de relevância com o PSDB, Aécio é uma pessoa que eu acho que vai ser importante. Eu acho que vale a pena você assumir essas contribuições'", lembrou. 

Foi nesse período que sua relação com Aécio cresceu, até que houve um pedido do senador feito diretamente a Marcelo para ajuda em 2014. "A partir daí, Aécio se tornou candidato. Naquela nossa lógica empresarial, campanha presidencial era comigo. Então a primeira conversa que eu tive para definir questão de valores com Aécio foi ainda pré-campanha, em que o PSDB e ele precisavam ter gastos e eu acertei com ele um valor - que depois a gente tentou recuperar, mas não se lembra - que aparentemente pode ter sido até por doação oficial ao PSDB ou por caixa 2, mas foram gastos pré-campanha que a gente ficou por dez meses", detalhou, ao citar que também foram destinados cerca de R$ 5 milhões oficiais à campanha eleitoral e outros R$ 3 milhões ao comitê do PSDB:  

“Aí teve, na véspera do primeiro turno, Aécio teve aquela subida, tava naquela discussão se Dilma ganhava ou não no primeiro turno, mas ele precisava de fôlego. E ele pediu um encontro comigo. 'Olha Marcelo, eu sei que você já doou para a pré-campanha, sei que já doou os R$ 5 milhões, o valor pro comitê, só que eu preciso'. E eu disse pra Aécio naquele momento, a gente já tinha aquela limitação de caixa 2, e eu falei: 'Aécio, é complicado. Porque eu não posso aparecer na véspera pra você mais do que pra Dilma'. E aí a gente combinou, porque ele também assumiu o compromisso de apoiar determinadas pessoas, e coincidiu de serem pessoas que a gente tinha relação. E a gente falou alguns nomes. Eu lembro de Agripino. Era um candidato que não tinha nenhum problema. Aí a gente apoia e diz que o dinheiro veio por recomendação sua". Mesmo assim, Marcelo garantiu que Aécio nunca vinculou qualquer pedido de dinheiro a ajuda no Congresso.

Fonte: Bahia Notícias

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