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sábado, 25 de agosto de 2018

Vida, fé e união do casal Mira e Vitor: a devoção a São Roque e o Queima de Judas

Victor Maximiano Carneiro, seu Vitor da Queimada como é conhecido, é um dos oito filhos do casal Roque Agnelo Carneiro (Roque da Queimada) e a senhora Maria Conegundes Carneiro. Vitor Maximiano Carneiro nasceu em 21 de fevereiro de 1925 na fazenda Queimada, zona rural de Ichu. Quando criança dividia seu tempo entre a luta do campo e o lazer com seus amigos e irmãos. Ele conta que gostava muito de brincar de bola.
Em março de 1946 casou com a senhora Palmira Cordeiro Santiago Carneiro e continuou a morar na fazenda Queimada, herança de seus pais. Desta união nasceram 10 filhos. Na sua propriedade criava animais, além de plantar milho batim, feijão mulatinho, feijão gordura, feijão mineiro, manivas para a produção de farinha, tirava sisal no farracho (tecnologia daquela época), e transportava o sisal para a cidade de Serrinha no lombo de um jumento. Seu Vitor também trabalhava na “arte”, (construção civil, como ele chama), sendo um bom pedreiro, carpinteiro e também funileiro, de onde tirava o sustento da sua família.
Em 1962 seu Vitor veio morar na sede do município de Ichu, com o objetivo de facilitar e contribuir nos estudos de seus filhos. Na cidade, entre 1964-65, adquiriu uma nova profissão passando a ser comerciante. Na sua venda se encontrava de tudo daquela época, não podia faltar gás e pavios para os candeeiros, rapadura, fumo de corda. Neste mesmo período ele começou a fazer transporte alternativo para a cidade de Riachão do Jacuípe aos sábados em sua caminhonete, transporte chamado “Pau de Arara” popularmente. Dona Mira, com seu dom de costurar e bordar, facilitou vários cursos de corte e costura na cidade.
Para a sociedade ichuense Vitor da Queimada tem grande contribuição, principalmente se tratando da religiosidade e cultura popular. Ele ficou com a incumbência de dar continuidade a devoção de sua família, com a reza ao glorioso São Roque, que recebeu de seu pai e que perpetua a mais de cem anos. Ele não sabe dizer ao certo quando iniciou essa devoção, apenas conta que veio de seu pai. A novena acontece todos os anos, encerrando no último sábado do mês de agosto. 
Mais tarde seu Vitor começou a confeccionar e queimar um boneco simbolizando Judas, o traidor, no encerramento da novena, atraindo muitas pessoas para prestigiar a brincadeira que ao longo dos anos ganhou significado para o povo ichuense e virou uma manifestação cultural. Segundo seu Vitor a ideia do Judas surgiu depois que ele foi ajudar a montar um boneco de Judas para um conhecido. “Na verdade nunca tinha feito um Judas, apenas via o senhor Anatanael (im memoria) armar os artifícios dentro de um boneco, como eu era curioso sempre ficava perto dele e ganhei um pouco de experiência. Nisto armei para um amigo, não cobrei nada e ele mim ofertou alguns estopins e os fogos de artificio, então fiz o meu Judas e queimei aqui mesmo na rua, foi no fundo da igreja. A partir desse ano comecei a queimar o Judas no final da novena”, conta seu Vitor. A tradição do Queima de Judas da novena de São Roque já passa de 50 anos e a cada ano é feito com mais capricho para que tudo ocorra dentro da normalidade. O boneco do Judas é produzido por seu Vitor com auxílio de alguns filhos e netos. Antes da queima do Judas é lido um testamento onde são divididos seus bens para as pessoas que ali estão presentes, causando muito riso e diversão.
Seu Vitor e dona Mira também contribuíram com uma das maiores festas religiosas do nosso município. Já foram casal presidente da Festa do Padroeiro Sagrado Coração de Jesus, além de serem membros do Apostolado da Oração.Seu Vitor foi grande colaborador na construção da capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro da comunidade de Umbuzeiro. Já dona Mira, foi por vários anos ministra extraordinária da Sagrada Comunhão, na paróquia Sagrado Coração de Jesus.

Em 1970 seu Vitor fez uma experiência na vida política sendo candidato a vereador, ficando na cadeira de primeiro suplente.O casal também foi um dos sócios fundadores da Associação Comunitária de Calumbi.
Atualmente ainda mantém sua venda, não como uma fonte de renda, mas como um ponto de encontro de amigos que se reúnem para brincar dominó, fazerem perguntas (adivinhas e charadas), além de ser um ponto de contos e causos.
Seu Vitor e dona Palmira já vivem 72 anos de união matrimonial, ao lado dos seus 10 filhos, 29 netos, 33 bisnetos e 1 tataraneto.
Não poderia deixar de registar neste texto, que durante a nossa conversa, várias pessoas nos interrompia e pedia a bênção a seu Vitor, e a cada bênção ele sorria e o abençoava.

Texto: Edcarlos Araújo de Almeida.
Fonte de pesquisa: Vitor Maximiano Carneiro.
Fotos: Joelma Carneiro e Arquivo Ichu Notícias
Colaboração: Edilma Carneiro.

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