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domingo, 12 de maio de 2019

Uma pequena homenagem as mães do nosso lindo Sertão. Mãe Bidúga, a parteira. Por Edcarlos Almeida

Hô Sertão! Nº 51
Uma pequena homenagem as mães do nosso lindo Sertão. Mãe Bidúga, a parteira.
Maria da Anunciação Carneiro "Mãe BIDÚGA"

Mãe Bidúga como ficou conhecida era filha da parteira Mãe Duninha (Maria do Carmo Carneiro), Duninha era esposa de Manoel da Circuncisão Carneiro (seu Né do Umbuzeiro). Biduga casou-se com o senhor João Alves Carneiro e desse casamento não tiveram filhos, mas o casal criou uma menina chamada de Francisca.

Com o casamento de Francisca sua filha de criação, mãe Bidúga despertou essa vocação de ser parteira. O primeiro parto da sua filha Francisca, foi realizado pela Parteira Duninha (mãe de Biduga), Biduga curiosa e atenciosa auxiliou sua mãe no parto da sua Filha Francisca. A partir deste momento ela se sentiu chamada a ser parteira e assumiu essa tão importante vocação daqueles tempos.

Mãe Bidúga fez pra mais de 200 partos na região das fazendas Laranjo, Massapê e Pau D`arco. Inclusive teve um só dia que a mesma foi procurada por três mulheres que estavam em período de parto. Ela fazia por amor, não vendia esse seu dom, apenas fazia com muito carinho e dedicação. Não se incomodava quando recebia um recado que havia uma mulher incomodada para ganhar criança, saia de casa assim que recebia o chamado, não colocando dificuldades, nem olhando o horário, seja de dia ou de noite, na chuva ou no sol, no frio ou no calor.

A casa da Parturiente como chamavam as mulheres que estavam prestes a dar a luz, ficava cheia de mulheres que vinham da redondeza e vizinhança para ajudar naquilo que fosse necessário e principalmente para orar e rezar em favor da mulher que estava sentindo as dores do parto, pois algumas delas vinham a óbitos nos partos mais complexos. Então ao chegar na casa, mãe Biduga acalmava a mulher e começava a fazer o procedimento com muito carinho e atenção. Ela costumava rezar o ofício de Nossa Senhora em silêncio durante o trabalho do parto. Após o nascimento da criança ela tinha todo o cuidado de cortar e amarrar logo o umbigo, e em seguida colocava o bebê para amamentar.

O Umbigo era amarrado com uma tira (pedaço) de tecido, mãe Bidúga orientava as mães a passarem azeite de mamona ou de licuri para a cicatrização e o facilitamento da queda do umbigo. Após a queda do cordão umbilical, o mesmo era enterrado nas proximidades da cancela do curral, que pela crença a criança teria sorte na vida. Após também a queda do cordão umbilical, algumas vezes era necessário colocar um pó feito a base da anti-casca da Aroeira (árvore medicinal da caatinga), isso para facilitar a cicatrização do umbigo. 

Caso a criança não conseguisse se amamentar seja pela falta de leite materno ou por fraqueza, ela imediatamente providenciava um mingau feito a base de água com farinha de mandioca cessado em um pano, e dava com o seu dedo para a criança comer. O recém-nascido assim que nascia tomava banho, as mães recomendavam tomar banho e lavar os cabelos com agua “limpa” a partir do trigésimo dia, antes disso apenas um banho rápido, e banho esse com ervas medicinais, como por exemplo, alfavaca. 

A parteira Mãe Bidúga, muitas vezes era presenteada com corte de roupas, vasos de mantimentos, ou outros objetos do lar, além de receber várias crianças para ser madrinha de batismo, tudo isso como forma de agradecimento e reconhecimento de seu trabalho. Mas a sua alegria era abençoar cada pessoa que por ela passava e lhe pedia a sua bênção.

Fonte de pesquisa: Francisca Cordeiro, Inês Carneiro 
Texto por: Edcarlos Almeida

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