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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

“Meu Deus levou a metade do meu corpo”, diz pai de médica coiteense que morreu há dois anos em acidente na BA-120

O trágico acidente ocorreu no dia 16 de janeiro de 2024, entre Riachão do Jacuípe e Conceição do Coité
Existe uma frase que atravessa gerações:
“no fim da vida, são os filhos que enterram os pais”, numa referência ao ciclo natural da existência. Infelizmente, essa não é a realidade de muitas famílias que se veem devastadas quando a ordem da vida é interrompida por uma tragédia dilaceradora.

Foi exatamente isso que aconteceu com a família de Antônio Cerqueira, 69 anos, conhecido carinhosamente como professor Toninho, natural de Santa Terezinha porém, filho de coração de Conceição do Coité, local onde passou maior parte da vida.

Professor de Ciências e Biologia por muitos anos na rede estadual de ensino, Toninho sempre fez questão de declarar o amor incondicional pelas filhas, Pothira e Thalita, a quem chamava de “meninas de ouro”. Quem o conhece sabe: elas sempre foram sua maior razão de viver.  

Mas no dia 16 de janeiro de 2024, a vida da família virou do avesso. A médica Pothira Carneiro, de 30 anos, morreu de forma trágica após o carro em que estava colidir de frente com outro veículo e pegar fogo na BA-120, no trecho entre Riachão do Jacuípe e Conceição do Coité
Relembre aqui.

O acidente comoveu toda a Bahia!
Naquele dia, Pothira havia levado a irmã até Salvador, de onde ela viajaria, e retornava para Coité, onde morava, quando aconteceu a colisão.
Se a dor da perda já era imensurável, o que veio depois tornou tudo ainda mais difícil. Além de enfrentar o próprio luto, Toninho precisou lidar com outra missão delicada: cuidar da esposa, mãe de Pothira, que devido ao estágio avançado do Alzheimer não tinha dimensão da tragédia.
Por mais de um ano, a jornalista Rafaela Rodrigues buscou conversar com o professor. Sempre respeitando o tempo dele, que dizia que, quando estivesse preparado, falaria sobre a filha tão amada.
A entrevista exclusiva aconteceu nesta quinta-feira (26) e foi marcada por emoção, pausas e lembranças carregadas de amor.
Pothira
Toninho contou que sempre teve o hábito de ligar para as filhas para saber onde estavam. No dia do acidente, falou com Pothira, que informou já ter passado por Riachão do Jacuípe, seguindo para Coité.

Mesmo assim, ele diz ter sentido algo diferente. “Telefonei para ela depois, demorou e não atendeu. Falei para minha secretária e para a cuidadora da minha esposa que iria buscar Pothira e que não iria trazê-la viva. Coisa de pai, um aperto no coração. E foi isso que aconteceu. Tenho certeza que meu Deus levou a metade do meu corpo”, afirmou emocionado.
Pai, Pothira e a mãe 
Entre lembranças e saudades, Toninho não economiza elogios à filha, como sempre fez enquanto ela estava viva. 
“Minhas filhas sempre foram especiais para mim e são a razão de eu estar vivo. Meninas lindas, dedicadas, humanas.”

Ao falar sobre o maior choque da realidade após a tragédia, ele foi direto: “O choque foi acordar no dia seguinte e não ter a convivência com ela. É uma falta muito grande que continua até hoje. Não tem preço. Eu choro muito, mas creio em Deus. A falta que ela faz vou levar até a minha morte.”

Pothira estava no último ano da residência médica, faltava apenas um ano para concluir a especialização.

Jovem, dedicada e extremamente comprometida com os pacientes, deixou uma marca de respeito e humanidade por onde passou.

Mesmo atravessado pela dor, Toninho transformou o sofrimento em uma mensagem de amor à vida. “Sempre digo: vivam o momento. A vida é curta. Com minha outra filha faço questão de estarmos sempre juntos, mesmo ela morando em São Paulo. Ela vem, eu vou. Conversamos todos os dias. Tenho muito amor e carinho pela minha família. Continuem unidos, porque o carinho e o respeito são primordiais.”

E assim, mesmo diante de uma tragédia tão impactante, o professor Toninho segue vivendo um dia de cada vez, sustentado pela fé, pelas memórias e pelo amor eterno que sente pela filha Pothira.

Porque quando o ciclo natural da vida é interrompido, o que permanece é o amor. E esse, segundo ele, jamais morre.

Por Rafaela Rodrigues / Portal RaízesFotos do acidente: Raimundo Mascarenhas | Fotos da família: Arquivo pessoal

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