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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Operação da PF coloca Jaques Wagner no centro de investigação sobre supostas vantagens ligadas ao Banco Master

Senador baiano nega irregularidades, afirma estar tranquilo e diz que nunca atuou em favor da instituição financeira; presidente Lula prestou solidariedade após a ação
Senador Jaques Wagner durante entrevista
A quinta-feira (18) foi marcada por forte repercussão política após a Polícia Federal deflagrar a 9ª fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura supostos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento de interesses privados envolvendo empresários ligados ao Banco Master. Entre os alvos da operação está o senador baiano Jaques Wagner (PT), ex-governador da Bahia e líder do governo no Senado.


A ação, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, cumpriu mandados de busca e apreensão na Bahia, Distrito Federal e São Paulo. As investigações também envolvem o empresário Augusto Ferreira Lima, apontado pela Polícia Federal como pessoa próxima ao senador e ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Segundo a PF, Wagner teria recebido benefícios indiretos por meio da relação com empresários investigados. Entre os elementos citados pelos investigadores estão a aquisição de um apartamento em Salvador, repasses financeiros para empresa ligada a familiares, utilização de aeronaves particulares e participação em eventos custeados por terceiros.

Apesar das suspeitas apontadas pela investigação, o senador não foi denunciado nem é réu no processo. A apuração encontra-se em fase de coleta de provas e análise de documentos, equipamentos eletrônicos e mensagens apreendidas durante a operação.

Wagner nega qualquer irregularidade
Ao longo do dia, Jaques Wagner concedeu entrevistas à imprensa e negou todas as acusações. O senador afirmou estar “absolutamente tranquilo” e disse que sua relação com Augusto Lima é conhecida há muitos anos.

Segundo Wagner, o empresário teria adquirido um imóvel em Salvador que posteriormente seria vendido à sua família, operação que, segundo ele, ocorreu dentro da legalidade e nunca resultou em transferência do bem para seu patrimônio.

O parlamentar também negou ter atuado em favor de interesses do Banco Master e afirmou que encontrou Daniel Vorcaro apenas duas vezes.

Outro ponto que chamou atenção durante as buscas foi a apreensão de cerca de US$ 49 mil encontrados em sua residência, em Brasília. Wagner declarou que os valores são lícitos e correspondem a sobras de recursos utilizados em viagens internacionais realizadas ao longo dos últimos anos.

Lula telefonou para o senador
Ainda nesta quinta-feira, Wagner revelou ter recebido uma ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que manifestou solidariedade diante da operação.

O episódio mobilizou lideranças do Partido dos Trabalhadores. O presidente nacional da sigla, Edinho Silva, divulgou nota pública demonstrando confiança no senador baiano e defendendo a completa apuração dos fatos pelas autoridades competentes.

Investigação continua
A Polícia Federal seguirá analisando o material recolhido durante a operação para verificar se houve efetivamente contrapartidas políticas ou legislativas em benefício dos empresários investigados.

Até o momento, não há denúncia formal apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra Jaques Wagner, e a defesa do senador sustenta que todas as transações mencionadas pela investigação possuem documentação e origem lícita.

O caso segue sob acompanhamento do Supremo Tribunal Federal e deverá ter novos desdobramentos nas próximas semanas, à medida que os investigadores concluam a análise das provas apreendidas.

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