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sábado, 29 de agosto de 2026

FEIRA - Aos 83 anos, Franklin Machado mantém produção de cordéis e relembra início da relação com a literatura

Franklin Machado contou que sua inspiração para os cordéis pode surgir de diferentes situações. 
Cordelista Franklin Machado | Foto: Beatriz Rosado/ Acorda Cidade
Aos 83 anos, o cordelista Franklin Machado mantém a produção de cordéis e afirma que a atividade faz parte de sua rotina. Presente no Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (Flifs), ele contou ao portal Acorda Cidade, que sua relação com a literatura de cordel começou na infância, quando acompanhava a mãe à feira em Feira de Santana e ouvia poetas e propagandistas cantando histórias em folhetos como Pavão Misterioso e Boi Misterioso, além de anunciar produtos.

Foto: Beatriz Rosado/ Acorda Cidade
“Eu parava para ouvir, com 6, 7, 8 anos eu ficava embebecido com aquilo. Minha mãe me puxava: ‘Vamos embora, menino’ e tal, porque eu ajudava a carregar a feira, né? Mas aquilo ficou impregnado em mim. Quando fiquei mais crescidinho passei a comprar e ler e fui juntando cordel desde esse tempo. As empregadas lá de casa também liam, os vaqueiros lá da fazenda de meu pai e de meu avô liam. E fui entrando nesse mundo”
, recordou.  

Formado em Direito e Jornalismo, o artista manteve a ligação com as histórias e a linguagem popular. Mais tarde, quando morava em São Paulo, passou a se dedicar profissionalmente à poesia de cordel.  

Foto: Beatriz Rosado/ Acorda Cidade
“O cordel me dá vitamina. Eu faço porque gosto e isso me anima”
, afirmou Franklin durante entrevista ao Acorda Cidade.  

O que inspira Franklin Machado a escrever cordéis? 

Franklin Machado contou que sua inspiração para os cordéis pode surgir de diferentes situações. Ele destacou que já escreveu sobre acontecimentos reais, personagens, histórias criadas por ele e temas relacionados ao folclore.  

Entre os exemplos citados está um cordel sobre um crime ocorrido em Salvador, envolvendo um homem identificado por ele como Marcelinho, que matou os pais. Também escreveu sobre um boi de Baixa Grande que atacava caminhões na estrada e matou uma família.

Outra fonte de inspiração são as histórias criadas pelo próprio cordelista. Franklin criou, por exemplo, a narrativa de um jumento que virou gente, que posteriormente virou santo e chegou ao céu. O personagem ganhou outras histórias em sequência, incluindo uma sobre um suposto milagre no Pará.  

“A inspiração é variada. Por exemplo, você pode escrever sobre um crime bárbaro, como por exemplo eu escrevi de Marcelinho, que matou o pai e a mãe em Salvador. Pode escrever sobre um boi na Baixa Grande que atacava até caminhão na estrada e matou uma família… Como você pode criar também história. Criei uma história de um jumento que virou gente e vendeu tudo numa romaria do Ceará. Quando esses folhetos fazem sucesso, a gente faz continuação. Aí da história do jumento que virou gente, ele virou santo e fiz a chegada dele no céu. Fiz também o milagre desse São Jumento no Pará”, recordou.  

O cordelista também transforma histórias e situações do cotidiano em folhetos. Ele contou que, em Feira de Santana, havia um bar no Beco do Mocó que funcionava como uma espécie de farmácia e vendia cachaça com folhas, anunciada como solução para problemas como gastrite, asma e bronquite.  

A história deu origem ao folheto “Receitas de cachaça com folha para curar toda doença”, que, segundo Franklin, teve os exemplares esgotados.

Entre outras produções citadas por ele estão A Lenda do Bode, uma história sobre Mestre Muritiba da capoeira e uma obra sobre Luiz Gonzaga.  

“A gente tem um manancial imenso não só de você criar história, como você também romancear um fato que aconteceu”, explicou.

Cordel ainda atrai crianças e jovens 

Para Franklin Machado, a literatura de cordel continua despertando o interesse do público infantil. Durante a participação no Flifs, ele contou que vendeu folhetos para crianças de 8 a 10 anos.  O cordelista também produz obras destinadas ao público infantil, incluindo histórias baseadas em contos do folclore, fábulas e narrativas criadas por ele.  

Entre os trabalhos citados está “Patinho Lindo”, criado a partir da história conhecida como “Patinho Feio”. Franklin também mencionou Fábulas de Esopo, incluindo uma história sobre um ratinho que consegue se livrar de um gato.  

O folclore brasileiro aparece em outros trabalhos, como “O casamento da raposa com o cachorro” e “Dia de chuva com sol”.  

Franklin também transforma histórias reais da família em cordel. Um dos exemplos é “O carneiro paulada que matou até boi”, baseado em um carneiro que pertencia ao avô dele, em Mundo Novo.  

Entre os trabalhos mais recentes, Franklin citou uma história inspirada em um personagem da região do Rio Gungugi, apresentado em um livro de um baiano que vivia em São Paulo. A obra reúne o personagem Zé Batalha e figuras do folclore brasileiro, como o Saci e a Curupira.  

Por Andrea Trindade com informações da estudante de jornalismo Beatriz Rosado | Fonte: Acorda Cidade

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