O Acorda Cidade teve acesso a decisão proferida nesta segunda-feira (31) pelo juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira
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| Foto: Divulgação/ MPBA |
O Acorda Cidade teve acesso a decisão proferida nesta segunda-feira (31) pelo juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, da 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O magistrado julgou procedentes os embargos apresentados por Bruno e determinou, entre outras medidas, o desbloqueio de valores e ativos e a retirada de seu nome do processo da Operação “Aposta Suja”.
Conforme a decisão, Bruno havia sido incluído de forma errada entre os alvos após uma “Comunicação de Operação Suspeita” encaminhada pelo Banco BTG Pactual ao Coaf, posteriormente incorporada a um Relatório de Inteligência Financeira. Na informação inicial, ele aparecia como beneficiário final da Code Tech Enterprise Ltda., atual Code Fabrik Enterprise Ltda., com suposta participação de 90% na empresa, que possuía sede em São Paulo. Ao contrário de Bruno, a empresa era o verdadeiro alvo da operação por suspeita de lavagem de dinheiro para plataformas ilegais de aposta. Com base nessa informação, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-RJ) estabeleceu contra ele um bloqueio de bens com um limite de R$ 95.818.994,74.
A situação, porém, mudou após a apresentação de documentos da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp). Segundo a documentação analisada pela Justiça, a empresa tinha outro empresário como sócio e administrador, e não havia registro de Bruno Karttos no quadro societário.
O Ministério Público também realizou uma diligência junto ao próprio BTG Pactual. Em resposta enviada em 26 de agosto, o banco admitiu o erro e informou não ter identificado relação entre Bruno e a empresa investigada. Diante disso, o MP concordou com o levantamento das medidas cautelares e com a restituição integral dos bens apreendidos.
Relação com o Feira FC
A decisão ganha repercussão em Feira de Santana também pela ligação de Bruno Karttos com o Feira Futebol Clube. O empresário foi apresentado pelo clube como embaixador e investidor do projeto. O caçula do último Baianão Série B, o Feira FC foi fundado em 2026 e disputou pela primeira vez a Segunda Divisão do Campeonato Baiano.
Como o Acorda Cidade já mostrou, a ligação veio à tona durante a Operação Aposta Suja, deflagrada em 13 de agosto, quando Bruno foi alvo de um mandado de busca e apreensão em Feira de Santana. Na ocasião, foram apreendidos dinheiro em espécie, inclusive em moeda estrangeira, aparelhos eletrônicos e veículos de alto padrão. A operação investiga um suposto esquema envolvendo apostas ilegais, golpes e lavagem de dinheiro.
Após a operação, o Feira FC afirmou ter tomado conhecimento da investigação e declarou “total confiança” na inocência de Bruno Karttos, ressaltando que respeitava a atuação das autoridades e o devido processo legal.
Veículos, dinheiro e outros bens serão devolvidos
Com a nova decisão, a Justiça determinou a restituição de todos os bens relacionados ao auto de busca e apreensão, incluindo aparelhos eletrônicos, dinheiro em moeda nacional e estrangeira e veículos, observadas as regras de titularidade para a entrega.
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| Foto: Divulgação/ MPBA |
Além disso, a Justiça mandou cessar o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de Bruno e de suas contas. Dados que eventualmente já tenham sido obtidos deverão permanecer sob sigilo e não poderão ser utilizados.
Os efeitos da decisão são direcionadas a Bruno Karttos, as medidas impostas aos demais investigados permanecem inalteradas e seguem sendo investigadas dentro do âmbito da Operação Aposta Suja, investigando o esquema bilionário de lavagem de dinheiro envolvendo apostas ilegais.
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