Ouça a nossa Rádio Independente FM 104.9

TRANSLATE TO YOUR FAVORITE LANGUAGE - TRADUZA PARA SEU IDIOMA FAVORITO:

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

“Não vou assumir responsabilidade que não é minha e vou fazer auditoria em todas as pastas”, diz prefeito eleito de Ichu

ENTREVISTA – CARLOS SANTIAGO DE ALMEIDA - Eleito prefeito do município de Ichu, no Território do Sisal, com 54,39% dos votos, o equivalente a 2.495 votos válidos, o tetracampeão na política, Carlos Santiago, 65 anos, é bancário aposentado, servidor de carreira da Caixa Econômica Federal, casado, três filhas e está no comando da administração municipal pela quarta vez. Ele é formado em Filosofia pela UFBA e iniciou um curso de Direito. Ele disse que tem grande preocupação com o estado de abandono que a cidade de Ichu se apresenta, com ruas esburacadas, o hospital sem condições de atender a população, escolas em situação precária além de vários outros problemas. Sua maior dificuldade será administrar novamente uma cidade com 6.418 habitantes (IBGE 2016) e uma das menores arrecadações do Estado, de cerca de R$ 15.862.206,95 (TCM – Receitas próprias mais transferências).
Diário do Sisal – O que mudou para o sr. depois desta campanha e desta vitória?
Carlos Santiago – Graças a Deus está tudo bem, tudo caminhando normalmente. Tivemos alguns percalços na campanha, pois tivemos um processo eleitoral, mas ganhamos em todas instancias. Ganhamos na primeira, na segunda, ganhamos também em Brasília, na decisão monocrática, eles recorreram, foi julgada em plenário e ganhamos também, inclusive com voto favorável do Ministério Público. Agora nossa posse é irreversível. O processo de transição teve inicio dia 25 de novembro e no dia 15 deste mês, acontece nossa diplomação e anuncio do secretariado que irá trabalhar a partir de 1º de janeiro.
 

Diário do Sisal – E como está o processo de transição?
Carlos Santiago – Vou aguardar aconclusão dos trabalhos iniciados dia 25 do mês passado, para que possamos tomar conhecimento da real situação, especialmente financeira do município. Também não sabemos a situação do patrimônio do município.
 
Diário do Sisal – Pela primeira vez, a diplomação do prefeito vai ser realizada aqui em Ichu. Muita expectativa com este ato?
Carlos Santiago – A diplomação vai ser dia 15 de dezembro, às 15h, aqui em Ichu, pela primeira vez. O juiz eleitoral daqui, dr. Gerivaldo Alves Neiva, é também juiz de Conceição do Coité e quer que a diplomação seja no próprio município.
 
Diário do Sisal – E como estão os preparativos para a posse em 1º de janeiro? Já está com o secretariado definido?
Carlos Santiago – Já estamos em contato com os possíveis secretários, mas só iremos divulgar alguma coisa após a diplomação, pois já estaremos com a situação oficializada, aí nós podemos constituir a equipe. E é coisa simples, porque o município é pequeno e iremos trabalhar com uma equipe reduzida, com seis secretarias (Saúde, Educação, Ação Social, Agricultura, Finanças e Administração). Vamos manter, até por questões burocráticas, as secretarias essenciais à administração. Vamos manter as mesmas secretarias. Vamos fazer uma auditoria assim que assumirmos a administração, em 1º de janeiro. Já estamos em contato com algumas empresas e técnicos. Não vou assumir responsabilidade que não é minha.
 
Diário do Sisal – Pelo que o sr está nos contando, o sr assume a administração de uma cidade hoje com problemas e num país em crise. Qual sua expectativa daqui para diante?
Carlos Santiago – Temos que, em qualquer circunstância, trabalhar com os pés no chão, diante da real situação. Eu já fui prefeito anteriormente e tenho uma noção do que posso esperar de recursos. E eu tenho certeza que a partir do momento em que tomarmos pé da situação, vamos fazer as indicações, colocar as pessoas nas funções certas e atuar de forma a não inchar a máquina. Sabemos que hoje, a folha de pagamento estaria acima do limite prudencial em mais de 12%. O limite é de 48% e já atingimos 60%, mas, infelizmente, a informação que foi dada pelo próprio prefeito é que chegamos a este índice acima do permitido por lei. Por isso temos que aguardar as informações da transição.
 
Diário do Sisal – E como o sr pretende trabalhar nesse momento de crise, seca, queda na arrecadação, desemprego?
Carlos Santiago – É como disse, preciso tomar conhecimento da situação financeira da cidade, qual o repasse real, a arrecadação e a partir daí ver o que podemos fazer, onde podemos conter despesas e onde podemos avançar. Não podemos simplesmente parar os programas porque, senão, a Justiça e o Ministério Público vem em cima do gestor e cobra. Por exemplo não podemos parar os trabalhos do PSF (Saúde da Família), do PETI (Erradicação do Trabalho Infantil). Essa inclusive deve ser uma luta dos municípios porque os trabalhadores contratados para esses programas e que recebem recursos federais, entram na folha do município e a sobrecarregam, fazendo com que o gestor extrapole o limite prudencial de gastos com funcionalismo. Isso tem que mudar.
 
Diário do Sisal – O sr já tem uma larga experiência administrativa, está partindo para o quarto mandato. O que o sr vai trazer de volta de suas gestões e que foram deixados de lado atualmente?
Carlos Santiago – Nossa maior preocupação, e que foi a linha de trabalho nas gestões passadas, foi um cuidado especial com Educação, Saúde e do lazer, voltada para o Esporte. Essas três áreas foram abandonada aqui em Ichu. Saúde é uma coisa cara, todos nós sabemos disso e vou ter que trabalhar em cima disso. Eu, nas gestões passadas, fui referência nacional, pelo trato que dei à Educação e a Saúde e pelo nosso trabalho na área de Esportes. Outra preocupação é com a infraestrutura. Qualquer um pode ver como nossas ruas estão esburacadas. E situação não pode continuar e a população mesmo é quem vai me cobrar para encontrar uma solução de imediato. Então, vou trabalhar em cima destes pontos para que o município possa retornar aos trilhos do crescimento e desenvolvimento. Todo mundo sabe que o fundo de participação aqui é pequeno, de 0,6% e a arrecadação é quase nada. Tenho que trabalhar com o que tenho. Por isso tenho que procurar o governo do Estado e Federal para as obras maiores. Aqui não tem quase IPTU, ISS e a inadimplência é grande, até por conta da crise. Temos que mostrar que só podemos trabalhar com o dinheiro que arrecadamos e que as pessoas tem que dar esse voto de confiança a administração. Vamos negociar, renegociar e fazer com que os tributos voltem a ser pagos em benefício da própria cidade.

Diário do Sisal – Dia 1º, o sr tomando posse, qual vai ser o seu primeiro ato como novo prefeito de Ichu?
Carlos Santiago – Minha primeira ação é fazer um levantamento do que o município tem, quais as carências mais prementes, independente da transição. A transição é um processo obrigatório, sob pena do prefeito que deixa o cargo ter as contas automaticamente rejeitadas caso não autorize a transição.
 
Diário do Sisal – Durante a campanha, o sr andou por toda a cidade, e viu de perto a situação do município?
Carlos Santiago – É muito preocupante a situação do abandono das ruas. Essa inclusive foi uma promessa minha, de atacar de imediato a questão do calçamento, antes que a população fiquem sem condições de transitar na própria cidade. A partir daí, vamos buscar convênios e outros programas junto ao governo do Estado e Federal. Não podemos ficar parados só aguardando os programas de fora. Vamos ver também a situação do Hospital Municipal, em que a população reclama a falta de profissionais, de medicamentos e até a falta de condições da unidade em receber os pacientes.
 
Diário do Sisal – O sr. falou que saúde é uma coisa cara. Como é que o sr pretende trabalhar nesse setor numa cidade pequena, com uma arrecadação pequena?
Carlos Santiago – Exato. Bem, já estamos mantendo os primeiros contatos nesse setor. Já conheço boa parte do quadro de funcionários e sei que são altamente competentes. Mas não podem trabalhar sem médicos. Vamos contratar, de imediato, alguns médicos já para atender a população pelo menos no básico. Na transição, estou recomendando que me façam um diagnóstico do hospital, porque as informações que tenho é que falta tudo, do lençol ao medicamento. Então vamos atacar essa questão urgente.
 
Diário do Sisal – Tivemos informação de que o sr quer criar um consórcio de saúde com os municípios de Tanquinho e Candeal. Como isso vai funcionar?
Carlos Santiago – Os prefeitos eleitos de Candeal e Tanquinho e eu estamos conservando para ver se esse consórcio avança. Não justifica Ichu ficar há 10 km de Candeal e há 29 km de Tanquinho, e cada cidade manter uma equipe completa de profissionais de saúde. Isso representa custos elevados para todos os três municípios. Vamos fazermos um trabalho conjunto e melhorarmos o atendimento à população. Essa parceria vai ser muito importante porque além de melhorarmos e ampliarmos o atendimento, vamos reduzir custos. E essa parceria inclusive pode se estender a outros setores, como na implantação do aterro sanitário. Chegamos a iniciar negociações no passado, mas não avançaram.
 
Diário do Sisal – Na área de emprego e rendo, o que o sr pretende fazer para atrair novas vagas de trabalho?
Carlos Santiago – Quando fui prefeito, aqui abriram várias lojas no comércio local e que geram empregos. Infelizmente, nesse período de crise, muitas delas foram fechadas. Vamos dinamizar o município visando incentivar a reabertura desses empreendimentos. Temos programas também de geração de emprego estimulando a produção local. Tivemos aqui fábrica de polpa de frutas, de beiju e muitos produtos regionais que eram adquiridos pela própria prefeitura para a merenda escolar. Só nesse projeto, conseguimos atender 60 famílias de produtores rurais. São programas pontuais mas que podem desenvolver a economia. Outras ações, como atrair empresas, é um processo lento e dispendioso. Precisamos ter infraestrutura necessária, mão de obra especializada. Vamos tentar, claro, mas como disse, mantendo os pés no chão e fazer aquilo que nos dê retorno imediato. A família que tá sem emprego, tem necessidade urgente. Vamos buscar resolver esses problemas emergenciais para pensar em atingir a questão macro.
 
Diário do Sisal – Ichu é uma cidade agrícola. O que o sr pretende fazer neste setor?
Carlos Santiago – Aqui já existe uma divisão territorial quase natural. Não existem grandes propriedades. Aqui se vive da agricultura familiar e vamos dar apoio a estas famílias. São estes produtores que abastecem nossa cidade. Vamos dar apoio com a atração de técnicos da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), melhorar a genética dos animais, a qualidade e rendimento do leite e reativar a cooperativa porque, isoladamente, o pequeno produtor perde força. Já tínhamos uma cooperativa, mas foi abandonada. Vamos fortalecer a agricultura familiar.
 
Diário do Sisal – E na área da Educação?
Carlos Santiago – Infelizmente a situação aqui é grave. A lei estabelece 200 dias letivos e pelo que ouvimos falar, a rede municipal não deu nem 150 dias. Todos os programas estão parados. Ichu se notabilizou e recebeu dois prêmios do Unicef pela qualidade da educação que desenvolvíamos aqui e tudo isso se perdeu. Vamos qualificar ainda mais os professores, ver se temos condições e melhorar os salários – isso só vai depender da receita, porque já se atingiu 60% da arrecadação com folha de pagamento.
 
Diário do Sisal – Como vai ser sua relação com os governos do Estado e União?
Carlos Santiago – Tenho boa relação com o governador Rui Costa quanto com o governo federal. Hoje não cabe mais um governador não ajudar o município porque o prefeito é de oposição. O presidente Temer tem mostrado que vai apoiar os municípios e espero que ele possa fazer isso mesmo. Já o governador tem se preocupado muito com a capital e esquecido o interior e ele não pode esquecer que o grosso dos votos vem do interior e se continuar assim ele não vai ter a resposta que espera em 2018. As estradas estão ai, a segurança pública está um caos e quero que ele olhe para os municípios. Tenho que pedir pelo meu município para dar qualidade de vida ao ichuense.
 
Diário do Sisal – Diante de tantos problemas, vale a pena ser prefeito de uma cidade como Ichu?
Carlos Santiago – É difícil. A gente diz que não quer mais, pensa duas vezes quando é chamado para ser candidato, mas veem os amigos pedindo, os correligionários, os aliados e em especial o povo e termina saindo candidato. Mas espero que surjam novas lideranças para trabalhar por Ichu. Não pode ser só Carlos Santiago ou os nomes do outro lado. Estou indo para o quarto mandato...tem que surgir novas lideranças. E um município só é forte quando tem lideranças fortes.
 

Da Redação do Diário do Sisal - Repórter `Pedro Oliveira e Jornalista Aloísio Araújo

Nenhum comentário:

Postar um comentário

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do ICHU NOTÍCIAS.

Neste espaço é proibido comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. Administradores do ICHU NOTÍCIAS pode até retirar, sem prévia notificação, comentários ofensivos e com xingamentos e que não respeitem os critérios impostos neste aviso.