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sábado, 17 de dezembro de 2016

Peixe pode ter relação com doença que causa dores e urina preta; Sesab emite alerta

Como a doença apresentou rápida disseminação entre pessoas da mesma família, a suspeita é de que a transmissão ocorra através de contato físico ou gotículas.
Foto: Joá Souza / Ag. A Tarde
A Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) emitiu nesta sexta-feira, 16, um alerta epidemiológico para as unidades de saúde de Salvador após o registro de nove casos com suspeita de uma variante de mialgia epidêmica, doença causada por vírus. Há a possibilidade, também, de ser contaminação através do consumo de peixe.

No alerta sobre a doença, que causa dores musculares intensas e urina escura, a Sesab faz recomendações de conduta e orienta equipes de saúde hospitalar e de emergência da capital para registrarem a ocorrência de outros casos que surjam e adotarem de imediato as medidas de controle e prevenção.

Os pacientes com suspeita da doença deram entrada em uma unidade hospitalar de Salvador nos dias 2 e 10 de dezembro, com sintomas semelhantes: fortes dores em região cervical, região do trapézio, seguido por dores musculares intensas nos braços, dorso, coxas e panturrilhas.

Ainda segundo a Sesab, todos os pacientes apresentavam elevações significativas das enzimas musculares, sem febre, artralgia ou cefaleia. Como a doença apresentou rápida disseminação entre pessoas da mesma família, a suspeita é de que a transmissão ocorra através de contato físico ou gotículas.
 
Sintomas e cuidados
A mialgia epidêmica ou Doença de Bornholm, geralmente causado pelo vírus Echovirus, gera dores musculares provocadas por uma infecção viral e afeta a parte superior do abdômen e o tórax inferior .

A dor é caracterizada como espasmódica (contração muscular involuntária) e desenvolve-se repentinamente, piorando a cada movimento e respiração profunda, causando falta de ar no indivíduo afetado.
Foto: Reprodução/A Tarde
A doença também pode provocar dor abdominal, febre, dor de cabeça, de garganta e dores musculares. A contaminação pode se dar por meio fecal-oral ou, menos comum, de pessoa-pessoa, por meio de gotículas ou objetos contaminados.

Como medida de prevenção da doença, a Sesab chama a atenção da população para os cuidados com a higienização de objetos, a necessidade de lavar as mãos com frequência, sobretudo antes das refeições, e alerta o indivíduo que tiver com suspeita de infecção para não circular em ambientes públicos e fechados.
 
Notificações
No alerta epidemiológico que a Sesab encaminhou a todas as suas unidades foi recomendada que os casos com sinais da doença sejam notificados à Diretoria de Vigilância Epidemiológica.

A secretaria recomenda ainda a coleta de amostras de soro e fezes para exame laboratorial, destinadas à pesquisa de arbovírus enterovírus. As amostras devem ser mantidas em refrigeração por no máximo 24 horas até o momento de envio ao Lacen Estadual.

Como a doença não tem tratamento específico, recomenda-se o exame para verificação do aumento das enzimas musculares, observando a coloração da urina. Se escura, há o risco de haver síndrome de Rabdomiólise (destruição das fibras musculares). Nesses casos, o paciente deve ser hidratado durante 48 ou 72 horas e não ingerir antiinflamatórios e ácido acetil salicílico (AAS).
 
Registros no AM
Os médicos suspeitam que os casos notificadas em Salvador e Valença pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Divep) possam ser resultado de vírus transmitido por via respiratória ou de uma toxina ingerida após o consumo de peixe.

Para o infectologista Antônio Carlos Bandeira, a suspeita de consumo de peixe está sendo avaliada. "Existem duas linhas de investigação. Uma é a questão de ser um vírus. A outra, que estamos observando nas últimas 24 horas, parte do fato de que todos [pacientes] tiveram exposição recente a peixe", disse.

Ele acrescentou que existe uma síndrome muito parecida com as ocorrências registradas na Bahia foi descrita no Amazonas, após os pacientes comerem peixe de água doce. “Só que nossos pacientes [baianos] comeram peixe de água salgada", explicou o infectologista.

De acordo com o especialista, os pacientes baianos consumiram os peixes Olho de Boi e Badejo. Há relatos de que esse pescado foi comprado em Guarajuba, no município de Camaçari, no Litoral Norte da Bahia.

No caso do Amazonas, informa o infectologista, a toxina já foi identificada no peixe de água doce "pacu manteiga", que causa um quadro de sintomas semelhante. “Aqui [na Bahia] a gente vai ter que investigar mais ”, assinalou ele, que não descarta que a doença, na Bahia, tenha sido provocada por essa mesma toxina.
 
Coleta de sangue
Para tentar identificar a causa da doença, foram coletadas amostras de sangue dos pacientes. O material passará pela análise do pesquisador Gúbio Soares, do laboratório de virologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

O infectologista Antonio Bandeira recomenda que quem apresente os sintomas procure atendimento médico e se mantenha hidratado. Ele também ressalta que o paciente não deve ingerir antiinflamatórios, porque poderá agravar o quadro clínico. Há suspeita de que a doença possa afetar o rim, causando insuficiência renal. 
Fonte: A Tarde

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