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sexta-feira, 21 de julho de 2017

“O MOC sou Eu” ecoaram as vozes em Riachão do Jacuípe durante a Caravana MOC 50 Anos

“O MOC sou Eu” ecoaram as vozes em Riachão do Jacuípe durante a Caravana MOC 50 Anos  “Pisa ligeiro, pisa ligeiro, quem não pode com a formiga não assanha o formigueiro”, canto que deu início a culminância da passagem da Caravana MOC 50 Anos em Riachão do Jacuípe, neste 19 de julho, após uma manhã inteira de atividades que aconteceram no Colégio João Campos, com roda de conversa, intercâmbio, audiência pública e oficinas, que envolveram crianças e adolescentes, agricultores e agricultoras familiares, profissionais da educação, homens e mulheres do campo.  

O momento de ouvir as histórias de vida das pessoas e de como a história do MOC tem contribuído nas suas lutas e labutas aconteceu no período da tarde, no auditório do Sindicato local de Trabalhadores/as da Agricultura Familiar, após uma caminhada desses sujeitos que formam o MOC pelas ruas da cidade chamando a atenção das pessoas.   

A culminância foi toda ela recheada de emoções. Relatos espontâneos de algumas pessoas arrancaram lágrimas de outras, ainda mais evidentes no momento quando o MOC prestou uma pequena homenagem ao companheiro de lutas "Reininho", Renivaldo Miranda Carneiro. “Na terra você contribui com varias cisternas, que carinhosamente a chamamos de estrela no chão do sertão, hoje és uma estrela que alumia daí do alto esse nosso Sertão”, dizia parte da homenagem entregue à família.  

A mediação da culminância foi feita pela técnica Ana Glécia Almeida que num determinado momento perguntou aos presentes: “E se alguém de outro país, de outro lugar,  perguntasse o que é o MOC, o que você responderia?” e uma pessoa ao fundo se levantou espontaneamente e respondeu “Eu sou o MOC!” e esta afirmação foi seguida por mais uma, mais outra pessoa, e logo quase que num coro previamente ensaiado (o que não aconteceu) todos repetiam “O MOC sou eu!!”, traduzindo um sentimento de pertencimento daquelas pessoas em relação ao MOC e levando grande emoção àquele lugar, num momento ímpar.  

O MOC sou EU 
Dona Gercelina dos Reis lembrou do padre Albertino e da sua luta para a criação do MOC em plena época da ditadura. Lembrou ainda dos esforços da equipe MOC tempos depois para colocar em prática os grupos de produção de mulheres na região. “O MOC nos ajudou a caminhar com nossos pés”. E toda orgulhosa confessou que fica muito feliz em ter, no Centro de Formação Comunitária (CFC) onde funciona a Rede de Produtoras da Bahia, uma sala com seu nome.  

As antigas reuniões do MOC debaixo dos pés de oitis foram lembranças trazidas por dona Luiza Santana, ou “Luizinha” do Ponto Novo que agradeceu “Agradeço a força do MOC em nos guiar a trabalhar”, disse.  Já a adolescente Camila Vitória residente no Povoado de Salgado, inserida no Projeto Parceiros por um Sertão Justo, apoiado pela Actionaid também deu seu testemunho que incluiu a mudança na sua vida e “na dos trabalhadores da região”, como descreveu.  

Representando os movimentos sociais Theodomiro Paulo lembrou do MOC nos anos 80 e sua preocupação com a cidadania. “O MOC nos enxergava enquanto cidadãos de direitos. Lembro  do Projeto Cidadania em Ação e foi ali que aprendemos a criar e fazer sindicatos, associações, a entender questões de direitos, a formatar  junto com o MOC propostas para a Constituinte a favor dos trabalhadores/as rurais. Foi ele que nos deixou pronto pra vida”, disse e encerrou sua fala afirmando “Sou cidadão baiano, jacuipense, sindicalista, e acima de tudo sou cidadão formado pelo MOC”, concluiu.  

Entre um canto e outro as falas seguiam tarde adentro e a emoção continuava. As professoras Maria Conceição e Gilcelma, e a primeira coordenadora do Projeto CAT em Riachão, Jucy, lembraram da contribuição do MOC e da importância do Baú de Leitura, das Cisternas nas Escolas, do projeto CAT criado há 23 anos e de outras ações da instituição em prol da Educação do Campo Contextualizada.  

“Sou agricultor experimentador e minha construção de vida está junto com o MOC, foi ele que me formou na realidade da agricultura familiar”, disse Abelmanto Carneiro da comunidade de Mucambo. Eduardo Emídio foi outro agricultor e empreendedor que em nome dos demais agricultores/as ali presentes trouxe grande lembranças do trabalho da instituição em relação a conquista dos direitos das mulheres, convivência com o semiárido e sobre sustentabilidade. “O MOC é como uma família. É como uma ferramenta de mostrar como viver de maneira agro ecologicamente correta”, ressaltou.  

Muitos outros relatos foram feitos pela plateia até o encerramento feito pela coordenadora geral do MOC, Célia Firmo, que falou sobre a importância do ouvir as pessoas nessa passagem da Caravana nos municípios da região. Também lembrou as primeiras reuniões no processo de construção do MOC feitas dentro de um fusca pelo padre Albertino e finalizou dizendo “Enquanto existir essa chama para lutar por pessoas, mesmo que algumas sequer saibam que o MOC existe, nós vamos lutar, pois assim é o MOC. Não temos um trabalho, temos uma missão”.  

Texto: Maria José Esteves 
Foto: Kívia Carneiro 
Programa de Comunicação do MOC

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