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segunda-feira, 21 de junho de 2021

Entenda como funcionam as buscas por Lázaro, foragido há 13 dias

Equipes são treinadas para atuarem de dia e à noite no mato. As buscas noturnas, no entanto, esbarram nas dificuldades impostas pelo bioma da região e na falta de equipamentos. Os que estão disponíveis são usados diariamente

Dia e noite. Há 13 dias, forças policiais especializadas estão na busca por Lázaro Barbosa Sousa, 32 anos, suspeito de assassinar uma família em Ceilândia Norte. Durante o dia, 270 policiais estão envolvidos em procurar pelo criminoso em chácaras, fazendas, no meio do mato e em pontos de bloqueio na BR-070. À noite, a caçada enfrenta outros desafios. Tendo como desvantagem a falta de luz solar, as forças de segurança contam com poucos equipamentos específicos para essas situações, além da dificuldade em lidar com o bioma da região.

Todas as forças policiais passaram por um treinamento rural antes de ingressarem na corporação. No caso das buscas por Lázaro, grupos de seis a oito pessoas passam noites no mato à procura do criminoso. As equipes se revezam e só saem do local depois que detectam que não existem mais evidências de que o suspeito esteja por perto. A falta de equipamentos é um agravante. Apenas a Polícia Federal e o Exército Brasileiro têm dispositivos específicos para as buscas noturnas. Eles estão sendo cedidos para auxiliar os policiais em campo.

Desde que a operação começou, drones que contam com câmera térmica, farol de busca, luz beacon (usada para melhor visualização), além de alto-falantes para dar alertas, estão sendo usados. Com a câmera, é possível localizar mais facilmente uma pessoa no período noturno, pois há diferença da temperatura dela para a do ambiente, e o drone aponta. O equipamento é extremamente eficiente, mas falha em regiões com muita vegetação — como é o caso daquela em que Lázaro provavelmente se esconde. O funcionamento é melhor em áreas descampadas. Helicópteros estavam sendo usados nas primeiras noites da operação. No entanto, não estão sendo mais vistos na região no período noturno.

À noite, as equipes se dividem em grupos para vasculhar matas e continuam o trabalha de bloqueio de vias (foto: Ed Alves/CB/D.A Press
Fora da mata, a polícia atua com pontos de bloqueio nos dois sentidos da BR-070 e ronda em chácaras e fazendas da cidade de Cocalzinho e distritos de Girassol e Edilândia, em Goiás. As investigações ainda apontam que Lázaro esteja escondido na região. Não há indícios, portanto, de que tenha chegado a Águas Lindas nem de que tenha conseguido furar o cerco delimitado pelas equipes, de aproximadamente 10km.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) afirmou, ontem, que as equipes policiais continuam em operação para a captura. A força-tarefa foi reforçada com dois cães do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO). Ao todo, a operação conta com cinco cachorros (leia mais abaixo).

Os trabalhos envolvem as polícias Militar e Civil de Goiás e do Distrito Federal, Polícia Federal e Rodoviária Federal, além da DPOE/DF. A inteligência da Polícia Rodoviária Federal (PRF) também foi incorporada à missão.

Falso policial

Um jovem de 23 anos acabou preso ao se apresentar como policial federal para participar das buscas por Lázaro Barbosa. A prisão ocorreu na noite de sábado, após ele abordar equipes da força-tarefa na BR-070, próximo ao Rio Pichuá, na região de Cocalzinho (GO), alegando estar atrasado para encontrar os colegas federais que estariam um pouco mais à frente.

De acordo com a equipe de comunicação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), 40 minutos depois da primeira abordagem, o homem retornou pedindo ajuda aos policiais militares de Goiás para desarmar uma pessoa alcoolizada em uma propriedade rural.

Ao retornarem para o ponto de apoio, os militares foram informados pela PRF de que o jovem não era policial. Ele recebeu voz de prisão e acabou levado à delegacia pelas equipes da PM, PRF e Polícia Federal, para o registro da ocorrência. Em nota, a PRF informou que o homem cometeu ao menos dois delitos: falsidade ideológica e usurpação da função pública.

Invasão investigada

Ontem, uma nova invasão tirou a tranquilidade dos residentes de Girassol (GO). Um morador da região relatou aos agentes que a casa dele foi arrombada e encontrou tudo revirado. Ainda não há confirmação de que Lázaro Barbosa seria o autor desse crime.

A propriedade fica às margens da BR-070, logo na entrada da cidade, e foi arrombada na tarde de sábado. Em entrevista do Correio, o autônomo Josenilton de Almeida, 28 anos, disse não ter sentido falta de nenhum objeto e, apesar do ocorrido, sente-se seguro. “Não estou com um pingo de medo.”

Policiais militares de Goiás vasculharam a área de cerca de 200 metros quadrados em busca de pistas na mata e às margens da BR-070, que corta a cidade. Até agora, nada foi encontrado.

O produtor rural Divino Bueno, 50 anos, comprou um terreno no distrito de Girassol. Há três meses, ele mora na chácara sozinho. Os vizinhos abandonaram as casas por medo. “Esse homem (Lázaro) causou pânico aqui. Estávamos na tranquilidade e, de um dia para o outro, começamos a viver um terror”, contou. Ele tem experiências em mata e afirmou que, pelo conhecimento, Lázaro pode estar se “virando” facilmente na região. “Quem tem vivência nessas áreas sobrevive muito fácil e não passa apuros. Aqui tem muitas grutas, ele pode estar comendo frutos e ficando escondido por cima das árvores, que é um bom esconderijo.”

» Curiosidade

A chegada dos animais à base da força-tarefa em Girassol, povoado que pertence a Cocalzinho (GO) e onde ocorrem as buscas por Lázaro, chamou a atenção. Na manhã de ontem, moradores tiraram fotos com Cristal e Dart enquanto estavam dento da caminhonete dos bombeiros. Os cães, dóceis, sequer latiram e se deixaram fotografar.

Conheça os cães que ajudam a polícia nas buscas por Lázaro em Goiás

Foto: Minervino Júnior/CB/D.A.Press
O reforço mais recente para a equipe que trabalha nas buscas pelo fugitivo Lázaro Barbosa são a cadela Cristal (border collie), Dart (pastor alemão) e Hope (bloodhound), cães do Corpo de Bombeiros de Goiás.

Cristal tem 6 anos e é experiente na busca por pessoas vivas ou mortas. Ajudou, inclusive, nas buscas por vítimas da tragédia do desabamento da barragem em Brumadinho (MG). “Nossos cães são treinados para buscar pessoas desaparecidas em ambiente urbano e rural. Também recebem treinamento para buscar cadáveres”, explica o capitão Higor Mendonça, do Corpo de Bombeiros.

Com Dart, de 4 anos, e Hope, os três foram para campo logo pela manhã para contribuir com a localização de Lázaro. “Basicamente são empregadas técnicas de busca de pessoas desaparecidas, onde o alvo a ser buscado emite odores pelo ambiente, o que leva o cão a mudar seu comportamento e ajudar o condutor a encontrar a vítima. A forma do cão indicar que localizou o alvo é latindo”, diz Mendonça.

Segundo o militar, que trata dos cães, o tipo é ideal porque são de médio e grande porte. “Buscas em matas são uma das especialidades de nossos cães. Ambos são certificados para essa atividade”, garante.

Mendonça diz que o pastor alemão é um cão de grande porte, de muito vigor físico. Tem grande afinidade com o trabalho, faro extremamente aguçado é obediente. É uma raça muito utilizada para guarda e proteção, mas adapta-se bem ao serviço de buscas. Quanto ao collier, é um cão com muita inteligência, faro aguçado e boa resistência física. Tem muita afinidade com busca. Por essência, é um cão de pastoreio.

Darcianne Diogo | Luana Patriolino / Correio Braziliense

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