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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Seca: Panorama desolador em Ichu e Euclides da Cunha

Áreas desertas, solos esturricados, campos de sisal dizimados, tanques, cacimbas, riachos e açudes engolidos pelo sol escaldante que abate sobre os municípios de Ichu e Euclides da Cunha na região de Identidade do Território do Sisal, tem provocado a dizimação de animais, apagados o verde dos pastos, da caatinga e o brilho nos olhos dos sertanejos. 
A longa estiagem deve se levar em conta também, o desmatamento progressivo que vem sendo executado há muito tempo por proprietários de áreas rurais com o objetivo de formação de pastagens visando a criação de animais notadamente bovinos, caprinos, ovinos, bem como plantio de produtos da agricultura familiar - milho, mandioca e feijão -. Sem critério de preservação da natureza, o pouco que ainda existe da vegetação natural continua sendo derrubado pela ação do homem que não se preocupa com a reação do planeta.

Com uma população de pouco mais de 6 mil habitantes e uma área territorial de 145 quilômetros quadrados, o município de Ichu, teve no último dia 9, Estado de Emergência reconhecido pelo governo estadual. O prefeito Carlos Santiago viaja nesta terça-feira a Brasília, para tentar o reconhecimento junto ao governo federal, já que a comunidade necessita de ações emergências por parte das duas esferas para que possa socorrer a população. A situação só não é de penúria por conta de que 1.556 famílias, têm os programas sociais como principal fonte de renda para sobrevivência, o que vem evitando que 4.652 pessoas passem fome por falta de trabalho, já que a prefeitura não tem como atender todos pedidos. Além de socorrer o interior do município que não tem água nem para o consumo humano e nem animal, a prefeitura vem atendendo também, inúmeras famílias carentes da sede que necessitam do liquido por conta da Embasa não cumprir com suas obrigações. 
Santiago reconhece que a situação é desesperadora por conta da economia do município que vem da agricultura familiar que é formada por mais de 90% da população. “Infelizmente essa estiagem que já perdura há anos, tem afetado os agricultores e o comércio local. A seca de agora vem sendo comparada pior do que há de 1993, quando o plantel de animais foi parcialmente dizimado. No momento só estamos atendendo os moradores com a distribuição de água. Apenas 30% das solicitações estão sendo atendidas por conta da prefeitura não dispor de recursos. Espero que os governos estadual e federal possam nos ajudar para podermos amenizar a situação dos agricultores e das famílias de baixa renda que necessitam de nossa atenção”, relata.
A comunidade que nas décadas de 70 a 90, chegou a ostentar a condição de uma das principais bacias leiteira desta parte da Bahia, com produção de 15 mil litros de leite/dia, hoje esses números não passa de 2,5 mil. Segundo o maior produtor de leite do município, o empresário José Gonzaga Carneiro, proprietário do Laticínio Aleluia, dos 17 mil litros de leite que a fabrica recebe no dia a dia, para a produção de 14 itens de derivados do leite - manteiga, requeijão, iogurte, queijos, bala café leite e doce tablete -, 85% do produto, vem de municípios da região, já que a produção interna não passa de 15%. “Acredito que os agricultores precisam de apoio técnico e é necessário que os prefeitos da região olhem melhor para eles e as prefeituras venham contratar especialistas em zootecnia, técnicos agrícolas e de agropecuária para auxiliar o homem do campo, só assim os municípios vão passar a ter uma fomentação maior e melhor”, o alerta é do produtor leiteiro e empresário Gonzaga.

Em Euclides da Cunha 
Com expressiva vocação para a produção de milho, feijão, mandioca e criatório de animais bovinos de corte, ovinos e caprinos, com o agravamento da estiagem a situação do município de Euclides da Cunha está feia e não existe comida na roça e nem água nos reservatórios. Segundo o prefeito Luciano Pinheiro, a prefeitura já fez a limpeza de 32 aguadas e vem socorrendo os flagelados com a distribuição de água potável. Cerca de 400 mil litros do liquido são pegues diariamente na Embasa por 15 carros-pipa contratados pela prefeitura para atender a população rural. Um caminhão de água vem sendo vendido no município entre R$ 120,00 e R$ 300,00, a depender da distância a ser percorrida pelo veículo. Como as pastagens foram engolidas pelo sol escaldante que vem acabando com tudo, as margens da BA 220 que liga a sede de Euclides da Cunha a cidade de Monte Santo, numa extensão de 37 km, o local vem sendo transformado em um cemitério a céu aberto de carcaça de animais mortos, como forma de chamar a atenção das autoridades sobre a gravidade da seca na área.
“O homem que arranca um pé de mandacaru, de ouricuri, de umbuzeiro ou de umburana, ele é um assassino da natureza e o pecuarista que dê remédio a um animal caído no pasto de fraqueza por não ter o que comer, é o mesmo que está dando uma dose de veneno para mata-lo antes do dia, porque não existe doença pior do que a fome” comenta o fazendeiro e agropecuarista Otacílio Celestino Reis (popular Silas), pai de quatro filhos, proprietário de 1.500 tarefas de terra, com pouco mais de 400 beneficiadas. “Para mim essa é a maior seca dos últimos tempos. Ela pegou todo mundo. Está vendo essa área aqui, eram 200 tarefas de capineira e o que vemos hoje é a terra pura, não nasce nada. O gado comeu toda a comida que tinha na seca passada e não houve tempo de recuperação das pastagens. É gado caindo e morrendo”.  

Sequenciando Silas informou que Já gastou cerca de R$ 200 mil em compras de rações e está sujeito a perder o resto de animais porque tem semana de cair de três a quatro cabeças. “Eu que já cheguei a ter 300 cabeças de gado de corte, agora são 180. Sem forças para andar essa novilha em está muito debilitada e deve morrer a qualquer hora, em meio a esse sol escaldante na caatinga por não ter o que comer e beber. Com essa perda, sobe para 20 o número de animais mortos este ano. Além dos prejuízos a que venho tendo com a perda de animais, amargo também, prejuízos da ordem da ordem de quase R$ 200 mil, por conta da perdas de safras de grãos nos últimos anos. Nos bons tempos já cheguei a colher cerca de 800 sacas de milho e feijão, 400 de cada e agora não existe nada. Agora é só administrar prejuízos a cada dia por causa da seca”, explica Otacílio Rios.
Apontado como um dos maiores produtores de grãos de milho e feijão do município, o agropecuarista José Raimundo de Souza, teve que desembocar nos últimos dias, a importância de R$ 3,5 mil na compra de uma carreta de bagaço de cana, produto usado na mistura do milho moído e farelo de trigo, para alimentar 140 cabeças de gado por um período de 25 a 30 dias. Para manter o pequeno rebanho vivo, o proprietário da Fazenda Pai Tomé, José Pereira de Oliveira, comentou que vem alimentando os animais com palma, farelo de trigo, milho e quinzenalmente é obrigado a comprar um carro de água por R$ 120,00 para os bichos não morrerem de sede.  

Por: Pedro Oliveira da Redação Diário do Sisal - Leia também na Tribuna da Bahia

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