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segunda-feira, 14 de junho de 2021

Seis dias de terror: Lázaro Barbosa deixa rastro de crimes no DF e Entorno

Na tarde deste domingo (13/6), o foragido furtou um carro em uma chácara de Cocalzinho (GO) e abandonou o veículo, um Corsa vermelho, após avistar um ponto de bloqueio montado pela polícia
As buscas por 
Lázaro Barbosa Sousa, 33 anos, suspeito de matar uma família em Ceilândia Norte e aterrorizar moradores, no DF e Entorno, entraram na madrugada desta segunda-feira. Já são seis dias de fuga, após Lázaro quase ser preso na rodovia BR-070, próximo à cidade de Edilândia (GO), a 82 km de Brasília. Na tarde deste domingo (13/6), o foragido furtou um carro em uma chácara de Cocalzinho (GO) e abandonou o veículo, um Corsa vermelho, após avistar um ponto de bloqueio montado pela polícia.

Lazáro entrou na propriedade por volta das 15h. No começo da noite, o dono do imóvel foi até a base montada pelas forças de segurança, em um trevo perto da cidade de Cocalzinho, e relatou a situação. Ele contou que, ao chegar em casa, deu falta do carro, um Corsa vermelho, e encontrou a residência revirada. Por volta das 18h30, o veículo foi abandonado por Lazáro na rodovia, a cerca de 30km de distância da chácara do rapaz. No interior do automóvel, foi encontrado um carregador de munições. Policiais iniciaram uma intensa busca pela mata, usaram cães farejadores, drones e helicópteros.

Lázaro é acusado de matar quatro pessoas, balear três, invadir chácaras, fazer reféns e atear fogo em uma casa — o ataque ocorreu na noite de sábado — (veja mais em rastro de crimes). Por volta das 8h de ontem, três caseiros de uma chácara afirmaram aos policiais que se depararam com o criminoso. Com facões e foices, foram fechar a porteira de uma chácara, em Cocalzinho, quando ficaram frente a frente com o suspeito, que fugiu.

Segundo os funcionários, o homem entrou em uma mata fechada próxima ao local. Para reforçar as buscas suspeito, mais 200 policiais e 50 viaturas do Distrito Federal e de Goiás se uniram e montaram uma base no trevo de Cocalzinho. Fazem parte do grupo unidades da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), da Polícia Militar (PMDF), da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Polícia Federal (PF).

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP/GO) informou que assim que tomou conhecimento da ocorrência na região do entorno, a força-tarefa foi criada. Segundo o órgão, os secretários de Segurança Pública de Goiás, Rodney Miranda, e do DF, Júlio Danilo, coordenam os trabalhos.

Violência
A PMDF detalhou o rastro de violência deixado por Lázaro, anteontem. O suspeito invadiu a fazenda da família de um soldado da corporação. Segundo apurado pelo Correio, Lázaro passou a tarde em uma chácara próxima à Lagoa Samuel, onde manteve um caseiro como refém. A reportagem encontrou a mãe do caseiro em frente ao Hospital Municipal Jair Paiva. “Amarrou meu filho, o obrigou a cozinhar e a fumar maconha”, contou a senhora, que preferiu não revelar o nome.

Lázaro teria, ainda, ingerido bebida alcoólica, destruído o carro do rapaz e cortado os fios de wi-fi. Pouco depois disso, por volta de 19h, o suspeito invadiu outra residência, baleou três pessoas, roubou duas armas e munições. Os crimes não pararam por aí. Às 23h30, enquanto a reportagem saía de Cocalzinho, policiais foram acionados para uma ocorrência de incêndio em uma residência na região. A vítima contou que Lázaro ateou fogo na casa.

Para as buscas por Lázaro, policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) contam com uma farda especial, camuflada, para entrar no matagal à procura do foragido. De acordo com a PMDF, 17 fazendas da região estão ocupadas por policiais para garantir a segurança da população. Segundo a corporação, as equipes estão distribuídas em pontos estratégicos, e as buscas ocorrem em propriedades e na mata com a ajuda de drones e cães farejadores.

Lázaro é acusado de matar Cláudio Vidal de Oliveira, 48 anos, Gustavo Marques Vidal, 21, e Carlos Eduardo Marques Vidal, 15. Ele ainda sequestrou Cleonice Marques de Andrade, 43, esposa de Cláudio e mãe das outras vítimas. O corpo dela foi encontrado anteontem, em um matagal. O cadáver estava sem roupa e com diversos cortes, em uma zona de mata próxima à BR-070.

Rastro de crimes

Quarta-feira (9 de junho)
Lázaro Barbosa Sousa, 33 anos, teria invadido residência no Incra 9, em Ceilândia Norte, por volta das 2h. Ele arromba a porta e, em menos de 10 minutos, mata Cláudio Vidal, 48, e os dois filhos, Gustavo Marques Vidal, 21, e Carlos Eduardo Marques Vidal, 15. Na fuga, leva a empresária Cleonice Marques, 43 anos. Minutos antes da entrada do criminoso, a mulher ligou para o irmão pedindo socorro. O familiar chega ao imóvel em pouco tempo, mas se depara com os corpos no quarto e não encontra Cleonice. Mesmo agonizando, Cláudio consegue alertar o cunhado acerca do sequestro.

Quinta-feira (10 de junho)
Durante a manhã, o homem também teria entrado armado em uma residência que fica a 3km de distância da chácara onde cometera o triplo homicídio. Sílvia Campos, 40, proprietária da chácara, e o caseiro, identificado como Anderson, 18, estiveram sob a mira do criminoso por mais de três horas. No local, obrigou os cativos a fumarem maconha. O suspeito deixou a casa levando mais de R$ 200, jaqueta, celulares e carregador telefônico. Buscas por Cleonice entram no segundo dia.

Sexta-feira (11 de junho)
Foragido faz mais um refém (o terceiro desde o início da fuga), rouba um carro do modelo Fiat Pálio, em Ceilândia, e vai para a cidade de Cocalzinho (GO) onde, horas depois, incendeia o veículo. Lá, ele teria contado com a ajuda de um comparsa, segundo indicam as investigações. Cleonice Marques segue desaparecida.

Sábado (12 de junho)
Polícia encontra o corpo de Cleonice Marques em um córrego próximo ao Sol Nascente. Lázaro Barbosa Sousa passou à tarde bebendo em uma chácara próximo à Lagoa Samuel, onde manteve um caseiro de refém, obrigando-o a fumar maconha e, logo após, destruiu o carro do rapaz. Horas mais tarde, invadiu uma chácara e baleou três homens e roubou duas armas de fogo. No fim da noite, ateou fogo em uma casa em Cocalzinho (GO), trocou tiros com a polícia, mas conseguiu escapar.

Do Correio Braziliense

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