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sábado, 30 de setembro de 2017

Ichu marca presença no encontro realizado em Juazeiro que tratou sobre Sementes do Semiárido

Aproximadamente 100 pessoas participaram II Encontro Estadual de Sementes realizado entre os dias 28 e 29 de Setembro no Centro de Formação Dom José Rodrigues, em Juazeiro (BA). 
Foto: Edcarlos Almeida
O evento reúne participantes de 12 micro regiões da Bahia e foi realizado pela Articulação do Semiárido (Asa), através do Serviço de Assessoria a Organizações Populares (Sasop). O encontro integra o Projeto “Sementes do Semiárido” que vem sendo executado pelo Sasop no Sertão do São Francisco e mais três municípios da região desde 2015.
 
Do município de Ichu participaram Edcarlos Almeida que é Técnico do Movimento de Organização Comunitária - MOC e Zé Neres agricultor da comunidade de Licuri.

Após a apresentação dos/das participantes, uma mesa redonda composta por representantes da Asa, Embrapa Semiárido, Univasf, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia (SDR), além de uma representante dos/das agricultores/as, discutiu os principais desafios da produção e conservação das sementes crioulas na região. Em algumas regiões, essas sementes também são chamadas de sementes da paixão ou da fartura.  

Para uma das participantes da mesa, a pesquisadora da Embrapa Semiárido, Aldete Fonseca, um dos desafios é a comercialização dessas sementes, uma vez que o mercado de sementes no Brasil é dominado por duas multinacionais. Ela ressalta ainda a necessidade de investir em pesquisas relacionadas ao assunto, pois hoje se trabalha a partir da sabedoria popular, mas há a necessidade de sistematizar todo esse conhecimento empírico para assim garantir mecanismos que assegurem a produção e comercialização dessas espécies. Para Aldete, se faz hoje muita pesquisa voltada para o agronegócio, mas “a gente também precisa [de pesquisa] para agricultura familiar”, defende. 

O representante da Bahiater/SDR, Dário Nunes, mencionou a atenção que o governo do estado da Bahia tem dado a essa temática, potencializando ações e projetos voltados para agricultura familiar e em especial a conservação de sementes. Na oportunidade, Dário divulgou o edital de apoio a ações de sementes crioulas, lançado pela SDR. “A gente sabe que a semente armazenada pelas famílias é importante, a gente precisa um pouco ampliar essa conservação, sobretudo essa disponibilidade de semente”, destaca Dário, apontando para uma perspectiva do fortalecimento dos Bancos de Sementes no Território Sertão do São Francisco, na Bahia.
Ao longo dos debates, agricultores e agricultoras fizeram questionamentos e trazem contribuições acerca de suas vivências práticas que garantem a manutenção da tradição de cultivo de sementes naturais, sem uso de agrotóxicos ou técnicas de melhoramento genético. A agricultora Valdeci Nunes, do município de Serra Dourada, no Oeste da Bahia, cita que muitos cultivos em sua região dispensam alguns cuidados específicos, a exemplo do uso de adubos. Mas há também muitas vezes a necessidade de algumas iniciativas básicas: “o agricultor tem que ser experimentador também”, diz Adriano Lima, da comunidade de Marrua, município de Macururé, ao relatar que sentiu a necessidade de fazer uma melhor preparação do adubo orgânico quando viu que sua horta não estava progredindo conforme deveria.  

Houve ainda provocações sobre a importância de também priorizar o debate acerca da conservação das sementes animais,uma vez que é um das principais atividades produtivas da agricultura familiar do Semiárido e mesmo quando se trata em agrobiodiversidade é uma discussão que ainda fica a desejar. Além disso, foi exposta a preocupação também em discutir de forma mais aprofundada como garantir a conservação de sementes diferenciadas como a mandioca, a batata doce e sementes da Caatinga, a exemplo do umbu, licuri, etc.  

O II Encontro Estadual de Sementes conta com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário e Brasil Agroecológico/Planapo, além da parceria da Univasf e Embrapa Semiárido.  

De acordo com Edicarlos, as sementes agora tem um nome de identificação estadual, foi batizada neste 2º encontro estadual como as Sementes da Terra. Segundo ele é preciso agora difundir nos espaços de construção do conhecimento essa  identidade.  

Ainda segundo Edicarlos em Ichu existem casas de sementes nas comunidades de Licuri, Praianos, Nova Esperança e Boa União.  

Redação do AL Notícias com adaptação do Texto de Comunicação Irpaa

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