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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Feira: Samba de roda e consciência negra são temas de seminário na Quixabeira da Matinha

Bule-Bule, que é repentista, cordelista, forrozeiro e mestre da cultura popular brasileira na Bahia, participou do seminário e contou sobre a história e origem do samba de roda.
A Associação Cultural Coleirinho da Bahia realiza, até o dia 25 de novembro, diversas ações gratuitas em prol da valorização da cultura popular e da identidade negra no distrito da Matinha, em Feira de Santana. Dentre as atividades, aconteceu, no domingo (19), o II Seminário sobre o Samba de Roda.

Bule-Bule, que é repentista, cordelista, forrozeiro e mestre da cultura popular brasileira na Bahia, participou do seminário e contou sobre a história e origem do samba de roda. As influências das culturas indígena, negra e a dança como instrumento de valorização e resgate da cultura popular.
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade
“A origem do samba é muito questionada. Mas, o que se faz mesmo é com a junção do africano, com as comunidades indígenas que aqui já estavam e que faziam em semicírculo, as suas manifestações, as suas organizações para festas, para casamentos. As comunidades indígenas sempre fizeram em semicírculo. O negro veio com a sua prática de fazer em semicírculo. E é isso como se faz a grande roda. Aí a cidade organizou e levou para o teatro de arena o palco arredondado. Então tudo isso para chegar aqui e afirmar que a origem do samba é essa ou aquela. Pode ser uma coisa e muito mais, que fique até devendo alguma explicação. Mas, a certeza é que todas as comunidades do mundo fazem o seu semicírculo para se manifestar. Onde o líder dirige aquela hora, sabendo da sua voz de comando, é o que o samba faz, é o que o coco de roda faz, é o que a ciranda faz, é o que o maracatu faz. Tudo isso é a mesma origem. É a mesma pegada”, disse.
Quixabeira da Matinha
O II Seminário sobre o Samba de Roda lotou a Associação Coleirinho da Bahia e contou com a participação da comunidade, ativistas culturais e artistas locais.

Guda Moreno, que preside a associação cultural, relatou como surgiu a Quixabeira da Matinha, o trabalho desenvolvido pela entidade e a luta pelo resgate e valorização cultural nas escolas. Segundo ele, a Quixabeira existe há 28 anos com o objetivo de preservar e salvaguardar a cultura popular, especialmente o samba de roda.
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade
“A gente só vem contemplando apoio através do edital de ponto de cultura do estado. E então, desde 2007, que a gente vem trabalhando voluntariamente. Dando aula de samba de roda, de percussão para as crianças e graças a Deus já formamos algumas que hoje já são adultos e hoje estão na Quixabeira. A gente vem a nível nacional falando em Brasília com o Ministério da Cultura para criar um projeto para que pegue esses mestres da cultura popular e leve para os colégios, para começar a dar aula. Ensinar a cultura popular nas escolas".

Para Guda Moreno, é importante resgatar e trabalhar sobre a cultura local desde a infância, pois as crianças são o futuro do país. Ele salientou que é muito importante que as crianças da zona rural vivenciem na escola também o cotidiano da zona rural.
 
“Vamos mudar a situação do país quando nossas crianças, nossos jovens passarem a viver na escola o cotidiano da zona rural e da comunidade quilombola”, concluiu.
 
Rachel Pinto  com informações do repórter Ed Santos do Acorda Cidade

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