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quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Coité – História de professora com câncer pode ser um golpe; colegas de profissão e alunos estão horrorizados com a situação

Informações dão conta que a mesma nunca esteve no Hospital de Irmã Dulce para se tratar de câncer e de onde teria sido encaminhada para o Sírio Libanês onde também não está. 
A semana começou em Conceição do Coité com uma campanha nas redes sociais promovida por diretores, professores e alunos do Centro de Ensino Noturno da Bahia – CENEB  que funciona no Colégio Polivalente, no intuito de arrecadar um valor relativamente alto, R$ 32 mil para compra de um medicamento que só vende nos Estados Unidos, para  continuar o tratamento da professora Ana Maria Nascimento, 37 anos, que leciona na referida unidade de ensino e que se encontra internada em estado grave no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, em consequência de uma Leucemia (câncer no sangue).

Carro de som e muita gente solidária faz grande campanha de arrecadação
Foto: Raimundo Mascarenhas
A campanha saiu das redes sociais onde envolvia apenas pessoas próximas a professora, e foi para às ruas. Na tarde de terça-feira, 28, alunos portando cartazes acompanhados por um carro de som, outros com caixinhas padronizadas com a foto da professora, entravam de loja em loja arrecadando dinheiro, transeuntes com muita boa vontade colaboravam com qualquer quantia e ao final da campanha foi divulgado que somente naquela tarde havia arrecadado aproximadamente R$ 4 mil. Ainda teria um bingo na escola, caixinhas espalhadas por algumas lojas e número de duas contas para depósito tendo a mesma como titular, para alcançar o valor determinado.

Diante da seriedade da campanha feita com pessoas abnegadas com tanta vontade de ‘salvar a vida’ de uma colega de trabalho, o Site Calila Noticias também entrou na campanha, publicando a passeata.(Veja a matéria que foi retirada da página principal tão logo tomou conhecimento que poderia ser um golpe).

Após a publicação da matéria, não demorou muito para uma pessoa ligada a professora deixar uma mensagem no celular da redação do Calila. “Boa tarde, por favor preserve meu nome, essa mulher que está fazendo essa campanha ele não tem nada de doença, ela é uma estelionatária. Me ligue”.

O Calila resolveu ligar para a pessoa que revelou coisas absurdas e respondia todas perguntas, afirmou que "a conhece há muito tempo e sempre procurou ludibriar as pessoas de boa fé e que é uma mulher saudável e nunca fez tratamento por doença grave”, afirmou.

Comissão de professores esteve nesta quinta na Delegacia onde registrou queixa crime. Em contato com um médico do Sírio ele desconhece existência dessa paciente. Oficio supostamente falsificado.

No mesmo dia o CN manteve contato com uma das professoras envolvidas na campanha e reportou a manifestação da pessoa condenando a conduta de Ana Maria. Começava ali a dúvida se realmente ela estava ou não internada se tinha ou não câncer. Antes mesmo de se levantar a história se era falsa ou não, já haviam comentários restritos de uma possível fraude. Entre os relatórios médicos tinha uma ficha do Hospital Santo Antônio (Irmã Dulce) em Salvador como sendo uma paciente daquela unidade e que teria providenciado a sua transferência para o Sírio.

Professores ligaram perguntando se havia registro da paciente no setor do Câncer e a informação foi negativa. O CN também entrou em contato e foi informado que Ana Maria Nascimento esteve naquele hospital no dia 12 de maio de 2005, ou seja há 12 anos, e que passou por uma consulta por um clínico geral.
Depósitos realizados em duas contas de Ana Maria exibidos por uma professora

Uma funcionária do setor afirmou ainda que lá não trata Leucemia e nem encaminha paciente para o Sírio Libanês. A pessoa mostrou-se revoltada com a situação. “Tanta gente com a doença devastando a saúde com tanta dificuldade para sobreviver, uma pessoa sã age dessa forma”, lamentou Viviane como se identificou.

As professoras passaram a receber mensagens pedido para adiantar outro valor em dinheiro, pois a mesma tinha passado por procedimento e necessitava de algum tipo de aplicação. Ontem, 29, um bingo que estava programado para acontecer na escola também voltado para ajudar a ‘paciente’ foi suspenso e criou ainda mais uma expectativa duvidosa em torno dos alunos que passaram a questionar os professores o que estava acontecendo.
Comissão pede ao juiz bloqueio das contas

Nesta quinta-feira, 30, o assunto veio a tona, áudio em grupos de WhtasApp já circulava afirmando a possível fraude. O CN procurou os professores para buscar informações a respeito do caso e para surpresa de nossa redação, recebeu a informação de que foram a Delegacia prestar uma queixa crime, levou a situação para o juiz da cidade que pediu o bloqueio das contas, e por fim, certificaram que Ana não se encontra no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, e que a mesma se encontra em Campina Grande, interior da Paraíba, sua terra natal.
Juiz Gerivaldo Neiva solicita junto ao Banco do Brasil bloqueio da conta para saques
e depositos, assim foi feito com a da Caixa | Foto: Raimundo Mascarenhas
As professoras estão muito revoltadas com atitude da ‘colega’. Segundo elas, tudo começou no mês de junho com todo o quadro colaborando para as viagens para exames e quimioterapia, “Esse tempo todo nós ajudamos, sem pedir apoio de ninguém, mas com a história de que precisaria de comprar um remédio muito caro, fomos para às ruas junto com os alunos e agora temos que passar por isso”, lamentou uma delas.

Assim como foram ás ruas  com toda boa vontade de ajudar alguém que se dizia necessitar de ajuda, as professoras pretendem fazer o mesmo percurso para entregar uma carta aberta a população.

O Calila Noticia fez uma pergunta que muita gente deve fazer. Porque encabeçar uma campanha dessa sem um laudo oficial? Uma professora disse que Ana Maria tem uma pessoa chamada Vilma que trabalha na Assistência Social do município que tem lhe dado suporte. Conforme se manifesta em uma conversa.

A professora disse que há muito tempo Vilma dar suporte a Ana Maria inclusive arrecadando dinheiro para suas viagens, não sabe informar se a mesma também foi vítima. Na conversa acima que teve com Vilma, ela afirma que a assistente social pedia dinheiro e perguntava se no cartão dela tinha pontos para serem trocados por passagem aérea.

Duas coisas nessa história são verdadeiras. Ana Maria tem Diabetes e é apenas estagiária no CENEB, tendo chegado por indicação da faculdade.

Redação CN

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